Cirurgia do estômago e outros sacrifícios

Cirurgia do estômago e outros sacrifícios

Temos lido muitas reportagens sobre cirurgias de estômago e a satisfação das pessoas que se submeteram a esse tipo de tratamento para resolver seu problema da obesidade.

Não temos dúvidas nenhuma de que o processo funciona, para o paciente tecnicamente indicado. Percebemos também nos depoimentos de quem fez esse tipo de cirurgia, o sofrimento que tiveram no primeiro mês, mas sempre acompanhado da alegria do sucesso posterior.

Na realidade as várias técnicas, se bem indicadas, terão sucesso sem complicações, mesmo que alguns aprendam a burlar a cirurgia bariátrica e ingerir leite condensado ou bebidas alcoólicas, que são calóricas demais, mas passam pelo estreito orifício resultante da cirurgia.

Sabemos também que a cirurgia só é indicada para obesos mórbidos, ou seja, com IMC acima de 40 ou ainda para IMC menor mas associado a complicações como diabetes e/ou hipertensão arterial de difícil controle. Ela não tem indicação para correção estética.

Gostaria de chamar a atenção dos obesos, que ainda não se encontram nas estatísticas de obesos mórbidos, mas que estão no caminho, que pensasse em alguma forma de evitar chegar a essa condição.

Tenho visto pessoas que fizeram a cirurgia e adquiriram o hábito de caminhar diariamente para manter a forma. Este é mais um ponto positivo. Pergunto: essa pessoa podia ter adquirido esse hábito antes de operar e que associado a reeducação alimentar, conseguiria emagrecer também sem passar por cirurgia?

Pois bem. Emagrecer exige um sacrifício de comer menos, escolher os melhores alimentos adequados à sua genética e praticar exercícios físicos de forma contínua. Será que esse sacrifício é muito maior do que suportar o pós-operatório e adequar-se às quantidades alimentares insignificantes e seletivas, pois conforme o tipo da cirurgia às vezes não é possível ingerir determinados alimentos para sempre?

A mudança de comportamento é na marra. Fechou o estômago e fim. Observo ainda que muitas das pessoas que colocaram o balão intragástrico por 6 meses, quando o retiram voltam a engordar. Neste caso não se mudou o comportamento, muito menos as crenças de comer por prazer.

Acredito que é bem melhor e menos drástico mudar o pensamento e fazer tomada de consciência a respeito da alimentação e dos exercícios físicos necessários ao organismo.

Fechar a boca pode ser um pouco mais trabalhoso, mas é menos traumático.

Comente

Últimas