Cirurgias para a Obesidade

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Em casos de obesidade com sérios riscos à saúde, o mais indicado é procurar um cirurgião para ver as opções de cirurgias para a obesidade. O procedimento pode assustar muita gente, afinal trata-se de intervenção e diminuição no tamanho do estômago, mas na verdade pode salvar vidas e melhorar a qualidade dos dias de muita gente.

O gastroenterologista e cirurgião do aparelho digestivo Bruno Zilberstein, que inclusive ministra palestras abordando quais as indicações cirúrgicas para a obesidade e os procedimentos a serem considerados pelos pacientes antes e depois da cirurgia, nos concedeu uma entrevista exclusiva.

Ele fala sobre os tipos de cirurgias para a obesidade e orientando sobre a importância do acompanhamento multidisciplinar - quando um grupo de profissionais, aliados ao médico responsável, participam de todo o processo, antes, durante e depois da cirurgia.

"O indivíduo que se submete a uma cirurgia para o emagrecimento tem seus hábitos totalmente reformulados, com ingestão mínima ou fracionada de alimentos, e deve estabelecer uma maneira diferente de se relacionar com esses hábitos e com o seu próprio corpo, a partir da perda de peso", declara. Bruno é professor em cirurgia do aparelho digestivo e professor associado do departamento de gastroenterologia da Faculdade de Medicina da USP, além de especialista em gastroenterologia, nutrição, cirurgia do aparelho digestivo e terapia intensiva.

cirurgia para obesidade

Dr. Bruno Zilberstein, gastroenterologista e cirurgião do aparelho digestivo

Quando uma cirurgia é indicada para controle da obesidade?

A cirurgia da obesidade é indicada em pacientes com obesidade mórbida, ou seja, aqueles que traz riscos à vida e à saúde. São os pacientes com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 35 com doenças associadas ou IMC acima de 40. Quem quiser fazer a operação apenas com fins estéticos têm que ser muito bem estudada e avaliada frente aos riscos cirúrgicos.

Quais os diferentes tipos de cirurgia (técnicas) e em que casos são indicadas?

Existem as operações restritivas (Banda Gástrica Ajustável e a Gastroplastia Vertical) e as mistas, que restringem a quantidade de alimento ingerido e também fazem com que parte do alimento ingerido não seja absorvido (Cirurgia de Fobi-Capella, operação de Scopinaro, operação de Derivação Duodenal). As restritivas são indicadas em pacientes mais colaborativos, motivados e mais disciplinados, que estão dispostos a seguir a orientação da equipe multidisciplinar com determinação. As mistas são indicadas em pacientes que apresentam mais dificuldades de seguir um acompanhamento restrito por parte da equipe multidisciplinar ou que de fato não têm condições psicológicas ou físicas de realizar este seguimento.

Quais os procedimentos a serem considerados pelos pacientes antes e depois da cirurgia?

Antes da operação é necessário que realizem todas as avaliações com a equipe multidisciplinar, ou seja, com cirurgião, cardiologista, pneumologista, endocrinologista, psicólogo, nutricionista. Também é necessário fazer diversos exames laboratoriais e participar das palestras educativas da equipe para conhecer profundamente as vantagens e desvantagens de cada procedimento para poder participar ativamente da decisão na escolha do método cirúrgico e da mudança comportamental e nutricional.

No pós-operatório, deverá "casar" com a equipe multidisciplinar pelo menos no primeiro ano após a operação para poder seguir todas as recomendações e aproveitar ao máximo o procedimento operatório adotado, sem sofrimentos ou traumas, a fim de conseguir sua reeducação alimentar. Caso contrário, poderá não emagrecer ou voltar a engordar.

Qual a importância de um acompanhamento multidisciplinar para o sucesso do procedimento?

É fundamental. Todo o sucesso da operação depende da determinação do paciente em seguir as recomendações de como comer, de tomar os suplementos nutricionais para não se debilitar e seguir o acompanhamento para emagrecer com saúde.

Após a cirurgia, o paciente deve se adaptar a um novo estilo de vida? Por que?

A vida continuará a mesma, só que com mais satisfação e melhora da auto-estima. Este ponto é fundamental no sentido da autovalorização da pessoa, fazendo com que acredite e confie mais nela mesma e desta forma progrida em todos os sentidos. As compulsões não mudam, e por isso é muito importante que o paciente continue o acompanhamento psicológico para que haja de fato verdadeira mudança comportamental.

Quais os riscos de uma cirurgia desse tipo? Que tipo de complicações podem ocorrer?

Os riscos são normais a qualquer operação, agravados pelo estado de obesidade que traz riscos inerentes a esta condição como: tromboses, embolia (coágulo de sangue que vai para o pulmão ou cérebro), derrame, pneumonia e infarto. Ainda pode ocorrer, nas operações onde há cortes do estomago, a abertura das costuras sobre este órgão e com isto saída de secreção intestinal para dentro do abdômen com consequente peritonite (inflamação da membrana que reveste o abdômen).

Embora possam ocorrer, estas complicações são muito raras e o índice de mortalidade não supera a 0,5%. Mesmo assim, o paciente deve ser muito bem avaliado e estudado antes da indicação da operação a ser realizada, e também ser conscientizado, para poder avaliar os riscos e os benefícios destas cirurgias.

E em quanto tempo os resultados esperados são alcançados?

Em geral, há um emagrecimento de 50% do excesso de peso nos primeiros 6 a 8 meses. Quanto a atingir o peso magro ideal é mais difícil, mesmo com a operação. Isto vai depender de cada paciente e em geral leva cerca de 18 meses.


As mulheres sofrem mais com a obesidade? Há tipo de tratamento diferenciado para elas?

As mulheres têm mais dificuldade de perder peso e são mais cobradas pela sociedade no sentido estético. Porém, a operação mais adequada vai depender tanto no homem quanto na mulher, dos aspectos físicos e, principalmente, psicológicos de cada um.

O setor público de saúde cobre esse tipo de intervenção?

O Brasil é o único país do mundo em que o sistema público oferece este tratamento. Existem vários hospitais públicos que realizam esta operação. O Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo foi o pioneiro.

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