Combatendo o vitiligo

Combatendo o vitiligo

Ter uma "pele de seda" com certeza é o sonho de muitas mulheres. Porém, manchas, rugas, marcas de expressão e até doenças podem surgir e derrubar a autoestima de qualquer pessoa. Dentre as enfermidades, o chamado vitiligo é uma das mais notáveis e, por isso, das mais incômodas também.

"Vitiligo é uma doença exclusivamente da pele (não afeta órgãos internos) e ocorre em cerca de 2% da população. Caracteriza-se por manchas brancas, bem delimitadas, que podem atingir qualquer parte da pele, com preferência em áreas como cotovelos, joelhos, punhos, dorso das mãos, dedos, pernas, pés e até órgãos genitais. Eventualmente dissemina-se, comprometendo grandes áreas do corpo", explica João Roberto Antonio, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Não há informações confirmadas sobre os agentes causadores do vitiligo - ele não é contagioso nem hereditário. Entretanto, pesquisadores descobriram que em 30% dos casos há ocorrência em indivíduos da mesma família. "Desse modo, algumas pessoas já nascem com genes que propiciam uma maior chance de desenvolver a doença", afirma João. "Outro fator que coincide com o desenvolvimento do vitiligo é uma grande dificuldade ou um trauma emocional, ou seja, o estresse".

Aliás, a área emocional fica mesmo comprometida, por causa da tonalidade da pele afetada, claro, e por conta da doença atingir principalmente partes do corpo que estão normalmente em evidência. "Os portadores da doença costumam ser pessoas retraídas e de baixa autoestima. Por isso, é fundamental conhecê-los mais detalhadamente e deixar à sua disposição as melhores opções terapêuticas disponíveis no mercado" afirma o médico. Em pessoas muito brancas, o trauma pode ser mais leve, já que é difícil notar a diferença entre pele doente e pele sadia. Nos negros, as regiões afetadas são bem visíveis, causando maior desconforto.

Existem vários tipos de tratamento para o vitiligo. Geralmente são combinações de substâncias que aumentam a absorção da luz e cremes imunomoduladores. Uma novidade é o método que utiliza o "Excimer Laser". "Ele é uma nova modalidade de tratamento que estimula a produção de melanina (proteína que confere a pigmentação da pele). É um dos mais eficazes encontrado atualmente no mercado para o vitiligo localizado, podendo ser usado em crianças e na face de adultos. Não é necessário que a aplicação seja feita exclusivamente pelo médico, desde que tenha sua avaliação e supervisão. Para esse tipo de tratamento, quanto mais jovem, maior é a chance de se obter resultados positivos", conta o presidente da SBD. Vários estudos científicos embasam o tratamento. Entre eles, está um controlado, publicado na revista científica "Dermatology Therapy" em julho deste ano, que comprovou a eficácia do Excimer Laser no tratamento do vitiligo.

O resultado satisfatório pode ser obtido após 10 a 50 sessões de aplicação, um ou duas vezes por semana, dependendo de fatores como a idade e as regiões afetadas no corpo do paciente. Por isso, não há um custo médio previsto.

De acordo com João, mesmo quando o Excimer Laser ou os métodos convencionais não são eficazes contra a doença, o paciente não deve perder a esperança. "Para as áreas de difícil tratamento, a melhor opção é o tratamento cirúrgico chamado de minienxertos. Esse procedimento tem promovido bons resultados. Podemos usar também a camuflagem cosmética (apagamento das manchas com cosmético tipo base) quando o paciente apresenta-se angustiado ou ansioso, aliviando o estresse, até que se consigam resultados efetivos", relata. "Atualmente, é possível tratar todas as formas de vitiligo, desde que haja persistência e dedicação ao tratamento".

Comente

Últimas