Como combater o estresse

Como combater o estresse

Todo mundo fica estressado pelo menos uma vez ao dia. Um barulho ensurdecedor, a lentidão do trânsito, um trabalho que será apresentado, uma reunião importante.

Todos esses são fatores que causam estresse, nada mais do que uma reação de defesa natural do organismo.

Segundo o psicoterapeuta Marco Antônio De Tommaso, de São Paulo, quando o cérebro detecta uma situação de tensão e perigo, entra em ação liberando reações químicas e hormônios como a adrenalina e o cortisol. Quando o cérebro não detecta mais perigo algum (como quando a situação causadora do estresse foi resolvida), então elas param e o corpo volta ao normal.

Mas, nos casos em que as reações desencadeadas pelo estresse não cessam, podem refletir no organismo em forma de doenças. "Podem ocorrer casos de enfarte, úlcera, problemas na coluna, fibromialgia (dores musculares), anorexia nervosa, obesidade, hipertensão arterial, aumento de colesterol, diabetes, entre outros", afirma Marco.

A reação de estresse varia de pessoa para pessoa e as consequências também. "Um quadro elevado de estresse, associado a outros fatores de riscos, pode gerar quadros de infarto agudo do miocardio e algumas arritmias cardíacas", alerta Alexandre Santos, diretor administrativo do Instituto de Cardiologia do Hospital Santa Paula, em São Paulo.

Alexandre lembra que o estresse não pode ser aferido, medido. Mas que existem sinais indiretos que mostram que uma pessoa pode estar com uma bomba prestes a explodir, como insônia, cansaço, déficit de atenção e dificuldade de memorização, por exemplo. Segundo Marco Antonio, os primeiros sintomas de estresse são quase imperceptíveis, mas vale ficar atento aos sinais. "A pessoa começa a agir diferentemente do habitual. Ela pode ter fadiga fácil, fraqueza, irritabilidade, suor frio, dores no estômago, dores musculares e de cabeça, ranger de dentes, entre outros".

Além disso, resfriados recorrentes e infecções também são um alerta de estresse. "Quando o indivíduo está estressado, o sistema imunológico cai. A pessoa passa a ficar mais vulnerável a doenças", afirma o psicólogo. Essa é a hora que você tem que prestar atenção, parar e respirar. Dar uma volta e desligar um pouco a mente daquilo que você está fazendo é uma boa maneira de combater o início do estresse.

A solução mais importante é aprender a se preocupar apenas o necessário. Marco afirma que o estresse, em doses homeopáticas, é sim importante para fazer viver o dia a dia. "Se o nível for muito baixo, a pessoa não tem motivação, se dispersa com facilidade, não se realiza, mostra-se apática e insatisfeita". Quando você tem muitas tarefas inacabadas para fazer e muita coisa em sua cabeça, Marco indica: "se o problema de hoje não tem solução, então ele é um falso problema".

Coloque prioridades em sua vida e resolva o que der para resolver hoje, hoje. Se não deu, então deixe para amanhã. "Uma coisa de cada vez", sugere o psicólogo. Além disso, ele afirma que é essencial que você aprenda a buscar um equilíbrio, todos os dias. "Você não pode ficar hipertrofiando uma área só. Divida a sua agenda em trabalho, lazer, família..." E lembre-se: "O primeiro mandamento é você, inclua-se em sua própria agenda, busque ferramentas para que você possa criar condições para também usufruir".

Nessa busca do equilíbrio, algumas válvulas de escape podem ser desenvolvidas. Uma caminhada, algumas horas na academia, natação, pilates, yoga, ou qualquer outro exercício físico que desligue da rotina diária e que você queira fazer no dia seguinte. "Busque fazer o que você gosta e não somente o que você deve fazer", completa. "Conduzir a vida de forma regrada, respeitando 8 horas diárias de sono, adotar uma boa alimentação - tanto em quantidade quanto em qualidade -, praticar regularmente atividade física são coisas simples, mas muito difíceis de se fazer no dia-a-dia", complementa Alexandre.

Uma boa noite de sono e uma alimentação balanceada ajudam o corpo a encontrar esse equilíbrio diário. E aprenda a se preocupar somente com o hoje, o agora, e não pensar no futuro distante, em algo que ainda não se realizou e nem tem chances de se realizar.

Se a pressão é muito grande, você ainda pode recorrer à terapia, que te ajudará a gerenciar situações e, consequentemente, a melhorar a qualidade de vida. "Ela atua redimensionando as lentes pelas quais avaliamos a realidade, tornando-nos mais conscientes de nós mesmos, de nossos limites, de nossas competências, tornando nosso comportamento mais previsível via autoconhecimento", encerra Marco.

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