Como cuidar de uma pessoa com mal de Alzheimer?

O papel do cuidador é essencial para trazer maior qualidade de vida ao paciente

Como cuidar de uma pessoa com mal de Alzheimer

A maioria das pessoas que possui a doença do mal de Alzheimer costuma viver presa no passado, já que não consegue se lembrar das coisas feitas recentemente e possui perda progressiva de células neurais.

Coisas básicas como lembrar números de telefone, nomes de pessoas próximas e conversas mais atuais tornam-se extremamente difíceis e, em casos avançados, impossíveis. "As pessoas portadoras do Alzheimer são totalmente dependentes para atividades diárias, como gerenciar finanças, fazer compras, cozinhar, se vestir entre outras coisas", diz a geriatra e presidente da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), Dra. Nezilour Lobato Rodrigues.

O apoio dos familiares e de pessoas próximas é de extrema importância durante o tratamento, pois quando as pessoas que têm a doença começam a repetir várias vezes as mesmas histórias, é importante ter paciência e prestar sempre atenção. "Não se deve contestar, nem interromper. Responda como se fosse a primeira vez, caso contrário pode causar irritação e piorar o estado dessa pessoa", aconselha a médica.

A jornalista Giovanna Kiill, mora com sua avó, Tavina de Carvalho Kiill, que tem o mal de Alzheimer, e conta como é sua rotina: "A pessoa que tem essa doença precisa estar sempre ocupada. Quando minha avó fica sozinha, ela come compulsivamente, esconde doces no armário e esquece até de tomar banho. Por isso a agenda dela é bem lotada: hidroginástica para melhorar a coordenação, aulas de pintura para melhorar o funcionamento do cérebro e ler o máximo possível."

O papel do cuidador é essencial para trazer maior qualidade de vida ao paciente, diz a geriatra: "Ele tem que observar as necessidades do paciente e auxiliar nas tarefas. Ajudas básicas como se medicar deve ter maior cuidado, pois qualquer remédio tomado errado aumenta o risco de agravar a doença."

Giovanna procura estar sempre em contato com sua avó. "Converso diariamente com a minha avó e ela me reconhece. Tem algumas pessoas que ficam algum tempo sem ligar e ela já não se lembra", conta a jornalista.

Para as pessoas que já têm histórico familiar da doença ou outros distúrbios de comportamento, o risco de desenvolver o problema também é muito alto. Segundo estudo realizado na Suécia, entre 65 pares de irmãos gêmeos, quando um deles apresentava a doença o outro tinha 65% de chance de ter também. "A pessoa com mal de Alzheimer apresenta declínio de funcionamento e desempenho", afirma a Dra Nezilour.

Os fatores de risco podem ser divididos entre idade, histórico familiar, sexo, Síndrome de Down (muitos portadores da síndrome apresentam evidências neuropatológicas do Mal de Alzheimer após os 40 anos), apolipoproteína E (proteína que possui um papel importante na regulação dos níveis lipídicos e no reparo neuronal) e traumatismo craniano. A doença normalmente afeta pessoas acima dos 60 anos, em maioria, as mulheres.

Nem sempre quem possui a doença começa com problemas de memória, há outros agravantes que devem ser reparados pela família: pessoas que têm dificuldades de realizar tarefas complexas, que são mais distraídas ou que têm dificuldade até mesmo para urinar devem ser acompanhadas de perto.

Com o passar dos anos, o diagnóstico foi modificado de acordo com os sintomas apresentados pelos pacientes. A Dra. Nezilour explica: "Antigamente, apenas a perda de memória estava relacionada à doença, hoje em dia apresentando alterações cognitivas principalmente em memória, linguagem, habilidades e agitação já pode ser um grande indício do Alzheimer."

Na fase mais avançada da doença, é possível ter delírios, ficar mais tempo deitado e sentado do que em pé, dificuldade para engolir alimentos (tendo que usar sonda enteral ou gastrostomia) e até mesmo podendo chegar à morte.

É importante saber que não há nada que previna totalmente a doença, mas forçar a mente com novos conhecimentos e praticar atividades físicas ajudam como um fator protetor. "Não há cura para o Alzheimer, mas existem tratamentos que melhoram os sintomas retardando, assim, a perda da funcionalidade, preservando o tempo de vida", afirma a médica geriatra.

Atualmente, o Sistema Único e Saúde (SUS) oferece medicamentos que retardam a progressão do Alzheimer e aumentam as substâncias no cérebro.


Thaís Santos (MBPress)

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