Dengue - saiba mais sobre a doença

Evite deixar água limpa parada para impedir a proliferação de insetos

Dengue  saiba mais sobre a doença

Com a chegada da estação mais quente do ano é necessário manter atenção dobrada para não deixar água empoçada em vasos de plantas, pneus, garrafas e ter cuidado com a limpeza e o fechamento da caixa d’água. Isso porque no verão é muito comum o surgimento da dengue.

Esta é uma doença infecciosa causada por um vírus que tem quatro sorotipos diferentes, batizados como 1,2,3 e 4. "Todos apresentam o mesmo quadro clínico e a infecção por um tipo dá imunidade apenas contra ele, porém, não contra os outros. Desse modo, um mortal pode ter até quatro dengues na vida", explica o Dr. Jacyr Pasternak, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

O vírus é do grupo dos flavivírus (grupo que causa encefalite) e, neste, de acordo com o especialista, também se inclui a febre amarela. "A doença normalmente ocorre em período curto após a picada do vetor, o mosquito Aedes aegypti, entre dois ou três dias", informa. Ele descreve que os sintomas duram de sete a dez dias e saram sem sequelas a não ser a sensação de fraqueza, que pode ser prolongada.

A doença pode ser bifásica, ou seja, começa com febre, melhora e depois piora de novo. Além da febre há muita dor muscular. "O nome dengue, que é igual em português e inglês, veio do português - é uma das raras doenças onde a língua lusitana deu o nome a uma", afirma Pasternak. Segundo ele, o nome é porque o paciente com dengue não deixa que mexam na sua musculatura, ficando "dengoso" ou "cheio de dengues".

Jacyr alega que a doença é mais comum em crianças e costuma ser um quadro febril agudo, com muita dor de cabeça, dor atrás dos olhos, gânglios e alguns sinais de alteração na permeabilidade vascular. Ou seja, sai líquido do sistema vascular para o interstício. "É comum na dengue encontrarmos pequenos derrames, em geral assintomáticos, na pleura, peritônio e pericárdio", avalia.

O médico diz que é possível fazer o diagnóstico somente pelos dados clínicos. "Existem exames de laboratório muito eficientes para chegarmos à constatação. O melhor deles é um teste sorológico que mede, ao mesmo tempo, o antígeno e os anticorpos contra o vírus.

O diagnóstico da dengue é mais difícil quando se trata da segunda, terceira ou quarta vez que o paciente tem a doença. Deve-se evitar todos os remédios que interfiram na função plaquetária, especialmente aspirina e anti-inflamatórios não hormonais", alerta Pasternak.

O infectologista ressalta que existe ainda a dengue hemorrágica, na qual aparecem lesões de pele e mucosas ligadas à baixa de plaquetas no sangue e pode haver sangramento. "Os casos mais graves juntam as hemorragias a perda de líquidos para o interstício e raramente (no Brasil não mais que 1 a 2 % dos casos) podem ir a óbito. Existem também raros casos de encefalite por dengue", avisa.

Embora o número de casos graves de dengue tenha caído neste ano 64% em comparação a 2011, Jacyr Pasternak alerta: "O mosquito é bem domiciliar e inseticidas ajudam, mas matam apenas os adultos. O mais importante é evitar que existam criadouros de larvas do mosquito. O combate ao Aedes tem que ser feito por toda a comunidade".

Por Stefane Braga (MBPress)

Comente

Últimas