Dieta cetogênica para portadores de epilepsia

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Dieta moderada em proteínas e pobre em carboidratos ajuda no tratamento das crises epiléticas

Dieta cetogênica para portadores de epilepsia

Pesquisas mostram que a dieta cetogênica reduz em até 90% as crises em crianças com epilepsia de difícil controle. Trata-se de uma dieta terapêutica rica em gorduras, moderada em proteínas e pobre em carboidratos.

Quando ingerida permite uma incompleta queima das gorduras pelo fígado, que resulta em corpos cetônicos no sangue e urina. Estes corpos cetônicos, substâncias solúveis em água derivados da quebra de ácidos gordos que ocorre no fígado, serão utilizados para produção de cetose - processo de queima total dos carboidratos - que é importante para o tratamento das crises.

Recentemente, um estudo feito no Ambulatório de Epilepsia da Disciplina de Neurologia e Neurociência da Unifesp, utilizou a dieta cetogênica em 12 crianças e adolescentes com diagnóstico de epilepsia refratária, de difícil controle medicamentoso, por um período que variou entre 6 e 12 meses.

A dieta foi iniciada com a hospitalização dos pacientes que permaneceram em jejum durante 36 a 48 horas para entrarem em cetose. Todos realizaram avaliações antropométrica, clínica, psicológica, metabólica e nutricional periodicamente durante a o estudo.

Suplementação de vitaminas e minerais também foram acrescidos para suprir as necessidades diárias que a dieta cetogênica não consegue alcançar por ser altamente lipídica.

Antes de iniciar a dieta, esses pacientes tinham, em média, 25 convulsões diárias. Já nos três primeiros meses de tratamento, todos os participantes da pesquisa apresentaram redução no número dessas crises.

Entretanto, os melhores resultados foram verificados no sexto e 12º mês de acompanhamento, com uma redução que variou entre 40% a 90%.

De acordo com a nutricionista Ana Maria Figueiredo Ramos, mestre em Neurociências pela UNIFESP e autora do estudo, houve melhora da qualidade de vida dos pacientes entre 70% e 100%, pois ficaram mais ativos, menos sonolentos e com mais disposição para atividades habituais.

"Após dez dias da dieta, uma das crianças chegou ao ambulatório tendo controle das crises e balbuciando as primeiras palavras", afirma. "Entre os adolescentes, um deles, que usualmente passava a maior parte do dia dormindo por causa da medicação, atualmente apresenta vida regular normal, voltou à escola e está pintando quadros".

A pesquisadora explica que a dieta cetogênica é indicada principalmente para crianças epiléticas com mais de um ano de idade e que apresentem resultados pouco favoráveis a duas ou mais drogas antiepiléticas ou para pacientes cujos efeitos colaterais desses medicamentos sejam intoleráveis.

Para o sucesso do tratamento, a pesquisadora explica que é preciso respeitar a idade e o peso do paciente, seguir a risca as orientações de um profissional e a colaboração dos pais. Isso porque nesse tipo de dieta são excluídos do cardápio os carboidratos e a glicose, principais fontes de energia para o cérebro. Sem reserva dessas substâncias, ele busca uma terceira fonte de energia: as gorduras.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 59 milhões de pessoas em todo o mundo têm epilepsia. Dessas 35 milhões vivem em países em desenvolvimento e não têm acesso a um tratamento apropriado. Além de provocar convulsões, as crises epiléticas também podem ser caracterizadas por desmaios, abalos musculares ou interrupção da fala e da atividade.

Natália Farah


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