Doenças pulmonares requerem maior atenção na alimentação

O mais indicado é incluir na dieta diária proteínas, carboidratos, lipídeos, vitaminas e minerais

DPOC e alimentação

O pulmão é um dos órgãos mais sensíveis e importantes do nosso organismo. Ele é a conexão entre o ar que respiramos e o sangue, ou seja, transfere o oxigênio para o sangue e elimina o gás carbônico.

Pode parecer um mecanismo simples, mas em pessoas que têm problemas no pulmão, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), mais comum em fumantes, esse procedimento torna-se um sofrimento. Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de cinco milhões de pessoas, no Brasil, sofrem com a doença.

Como a DPOC caracteriza-se pela dificuldade da passagem de ar pelos brônquios, o esforço nesse movimento causa fadiga muscular e insuficiência respiratória, resultando em graves prejuízos à qualidade de vida dos pacientes.

Por isso, especialistas alertam para os cuidados no tratamento da enfermidade, especialmente em relação à alimentação do paciente. Sabe-se que doenças respiratórias aumentam drasticamente a taxa de metabolismo do corpo e tem múltiplas consequências na saúde da pessoa acometida. Entre elas: perda de peso, diminuição da força dos músculos respiratórios, de resistência a infecções e resposta de defesa dos pulmões a baixos níveis de oxigênio.

Uma avaliação individual e o acompanhamento do nutricionista são de grande importância para estipular qual a melhor recomendação para cada paciente. Nesse caso, o mais indicado é incluir na dieta diária proteínas, carboidratos, lipídeos, vitaminas e minerais. Além de aumentar a ingestão de gorduras e diminuir a ingestão de carboidratos. As melhores opções são as gorduras monoinsaturadas e poliinsaturadas, encontradas em óleos vegetais, castanhas e abacate.

Outras dicas são:

• Limitar o consumo de sal, uma vez que o excesso de sódio pode causar a retenção de água, que pode interferir na respiração;

• Limitar também o consumo de bebidas que contenha cafeína. Ela pode interferir na ação de alguns medicamentos, podendo deixar o paciente nervoso;

• Evitar comidas que produzem gases ou que façam o paciente se sentir estufado. A eliminação desses alimentos se dá por tentativa e erro;

• Tentar comer a maior refeição logo de manhã, pois dessa forma o paciente terá mais energia para realizar as tarefas durante o dia;

• Escolher comidas que são fáceis de serem preparadas. Assim, não será necessário gastar toda a energia preparando a refeição.

• Evitar qualquer comida que contenha muito pouco ou não contenha valor nutricional;

• Comer seis pequenas refeições por dia, ao invés de três grandes refeições. Isso não causará desconforto estomacal nem deixará a pessoa ofegante. Muita comida de uma só vez distende o estômago e envolve o diafragma;

• Caso o paciente use oxigênio, certifique-se de estar usando a cânula durante a refeição - e após a refeição também. Comer e digerir requer energia, o que faz com que o corpo consuma mais oxigênio;

• Beber pelo menos 8 copos de líquidos sem cafeína diariamente, afinal, dois terços de nosso sangue é composto de água. Esse líquido fluidificará o muco, tornando-o mais fino e mantém seu corpo hidratado.

Em caso de perda excessiva de peso ou cansaço, seguem outras recomendações:

Anorexia

Ter alimentos favoritos disponíveis.

Tentar aumentar o número de refeições e lanches durante o dia.

Saciedade precoce

Ingerir comida com alto teor energético em primeiro lugar.

Limitar líquidos durante as refeições, beber apenas uma hora após as refeições.

Comidas frias podem produzir menor sensação de plenitude que comidas quentes.

Dispnéia

Repousar antes das refeições.

Usar broncodilatadores antes das refeições.

Realizar higiene brônquica antes das refeições, se necessário.

Comer lentamente.

Usar respiração com lábios semicerrados, entre bocados.

Cansaço

Repousar antes das refeições.

Ter refeições de preparo fácil e rápido para os períodos de maior cansaço ou de piora da doença.

Sugerir ao paciente que tente comer refeições maiores quando está menos cansado.

Empachamento

Ingerir refeições menores e mais freqüentes.

Evitar alimentos que levam à formação de gases.

Evitar comer rapidamente.

Constipação

Instruir o paciente a ingerir alimentos com alto teor de fibras.

Natália Farah


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