Empresas recrutam autistas para ocuparem vagas específicas

Contratação e treinamento sem cotas de deficientes (PCD)! Saiba porque as empresas estão recrutando pessoas com autismo e Síndrome de Asperger para determinadas funções
Empresas recrutam autistas para ocuparem vagas específicas

Foto: iStock / nd3000

Você sabia que 87,5% dos jovens autistas que recebem suporte conseguem se colocar no mercado de trabalho? Isso é o que mostra um estudo publicado no Journal of Autism and Developmental Disorders. De acordo com a publicação de 2014, apesar da sociedade ainda ser preconceituosa, e muitas vezes desacreditar na capacidade de quem tem autismo e Síndrome de Asperger, essas pessoas podem sim se adaptar a um ambiente corporativo com muito sucesso.


Prova disso é que grandes empresas estão se empenhando para contratar essas pessoas, e a boa notícia é que essas contratações não são para preencher cotas, mas sim para ganhar vantagens competitivas vindas de tais funcionários.

Dependendo do desenvolvimento cognitivo do candidato, ele pode ser extremamente útil em tarefas que exigem lidar com conhecimentos matemáticos, tecnologia, música e artes. As habilidades de concentração que pessoas com autismo podem ter também são ótimas, além da boa memória visual e de longo prazo, interesse por tarefas metódicas e grande capacidade de reconhecer padrões e seguir regras.

Este grande conjunto de aptidões são essenciais para se trabalhar em empresas de tecnologia, por exemplo. A Associação de Amigos do Autista (AMA) explicou sobre os níveis de autismo em relação com o mercado de trabalho: " (...) Em um extremo temos os quadros de autismo associados à deficiência intelectual grave e déficit importante na interação social e, no extremo oposto, a Síndrome de Asperger, sem deficiência intelectual, sem atraso significativo na linguagem e com interação social peculiar". O comportamento do mercado indica que este último grupo seria o mais indicado para ocupar as vagas, e também exigem que o candidato tenha um diagnóstico formal.

Isso quer dizer que quem procura preencher uma destas vagas deve ter autismo de alto funcionamento, ou Síndrome de Asperger – quadro mais leve do transtorno, não associado a deficiência intelectual. Pablo Mas, diretor de operações da Specialisterne comentou para o site Exame sobre como a inclusão dos autistas funciona na empresa que trabalha. "Os gestores são orientados a ser muito claros nas instruções, evitar ambiguidades, antecipar mudanças e trocas de projetos, por exemplo. E só pelo fato de fazer esse pequeno esforço, eles se tornam líderes melhores, porque aprendem a lidar com situações diferentes", afirma.

Além da Specialisterne, empresas como a desenvolvedora de software SAP contam com programas inclusivos geniais. A multinacional iniciou em 2013 o programa "Autism at Work" (Autismo no trabalho) e estipulou uma meta de ter 1% de sua força de trabalho formada por autistas até 2020. A gigante tem 77.000 funcionários no mundo e atingiu recentemente a marca de 100 profissionais autistas no time.

Gostou? Vamos torcer para que mais empresas também comprem essa iniciativa. De acordo com a Organização Mundial da Saúde - OMS, mais de dois milhões de brasileiros são autistas, ou seja, não faltarão candidatos!

Por Thamirys Teixeira

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