Epilepsia e Atividade Física

Epilepsia e Atividade Física

A prática esportiva desempenha um papel fundamental na promoção de uma vida mais saudável para o paciente com epilepsia e pode ser vista como um aspecto importante na sua integração social.

Os médicos assumem posições e condutas variadas, mas as evidências sugerem que a maioria dos pacientes com epilepsia se beneficia do exercício regular.

Há pequena evidência de que os esportes de contato e de colisão possam aumentar o risco de lesão em pessoas com epilepsia, contra as muitas evidências de que limitar a participação de crianças em atividades esportivas pode trazer importantes conseqüências psicológicas.

São inúmeros e bem conhecidos os benefícios físicos que a prática esportiva traz aos pacientes portadores de epilepsia, assim como à população em geral: aumento da capacidade aeróbica, aumento do trabalho cardíaco, aumento da massa corpórea magra, diminuição do nível plasmático de colesterol, além do benefício de reduzir a freqüência das crises epilépticas durante a prática esportiva.

Maiores ainda são os benefícios psicológicos envolvidos com a prática de atividade física, principalmente em pacientes epilépticos, os quais costumam apresentar maior quantidade de queixas subjetivas como fadiga, problemas de sono, depressão e ansiedade.

A prática esportiva traz aos pacientes com epilepsia um ganho de auto-estima e auto-confiança, maior convívio social, noção de trabalho de equipe, senso de controle sobre a doença, redução da ansiedade, da depressão e do estigma e regularização do sono.

Considerações sobre as Diversas Práticas Esportivas

A prática esportiva, infelizmente, não é possível a todos os pacientes com epilepsia, particularmente aos que sofrem crises graves e freqüentes com comprometimento neurológico importante. Quase dois terços dos pacientes têm doença estável, com crises raras e tratamento bem adaptado, e os problemas neurológicos e mentais são mínimos ou inexistentes. Assim, é principalmente em relação a esse grupo, isto é, crianças ou adultos com doença estável, que comentaremos sobre as diversas modalidades esportivas.

  • Natação. A epilepsia comprovadamente é fator de risco para afogamento. A maioria dos acidentes fatais em epilépticos ocorre na água, mais em atividades recreacionais do que em esportivas. Um estudo retrospectivo americano de 10 anos, sobre afogamentos, entre jovens menores de 20 anos mostrou que epilepsia prévia fazia parte da história de 7,5% dos indivíduos (risco cerca de 4 vezes maior que o da população em geral).
  • Visto que a natação tem-se tornado atividade física popular entre os pacientes com epilepsia e que as medidas de segurança diminuem drasticamente o risco de acidentes (89% de todas as vítimas não tinham supervisão), tornam-se mandatórios o uso de equipamentos de segurança e a supervisão adequada, além de alguns autores preconizarem a proibição da natação competitiva para crianças.

  • Esportes de colisão e contato. Incluem os esportes de equipe, estando entre os mais populares. Não há dados que comprovem que traumas menores de crânio repetidos causem danos em pacientes epilépticos, e estudos mostram que a história prévia de epilepsia não indica predisposição a convulsão após trauma de crânio.
  • Boxe. Alguns autores acreditam que esta atividade deva ser proibida para qualquer criança, principalmente as epilépticas, apesar de não haver dados que mostrem que atletas epilépticos sofram maior risco. Estudo realizado entre boxeadores amadores na Suécia não demonstrou dano cerebral significativo, ao contrário do já comprovado em boxeadores profissionais, que vão de leves distúrbios cognitivos até a síndrome do punch-drunk.
  • Esportes motorizados. Esportes sobre rodas requerem equipamentos de segurança e as ruas movimentadas devem ser evitadas. Devem ser liberados para pacientes com doença controlada e, se não há bom controle ou se o diagnóstico é recente, essas atividades devem ser limitadas inicialmente.
  • Esportes que envolvam altura. Como essas atividades podem trazer risco de lesão séria e óbito, deve ser feita uma avaliação individual que leve em conta o tipo e a freqüência das crises e a resposta ao tratamento, principalmente em relação a hipismo, ciclismo e ginástica olímpica. O alpinismo e o pára-quedismo estão formalmente contra-indicados (assim como o mergulho, já citado), por razões óbvias.
  • Contra-indicações de Atividades Esportivas para Pessoas com Epilepsia

    Absolutas

  • Vôo, pára-quedismo e asa-delta
  • Alpinismo e escaladas
  • Mergulho submarino
  • Natação competitiva (para crianças).
  • Relativas

  • Arco e flecha, arremesso de dardo e tiro
  • Ciclismo competitivo para crianças com ausência Natação, surfe e ginástica olímpica.
  • Atividades no gelo e esportes motorizados.
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