Epilepsia e autismo: existe relação?

Especialistas tentam encontrar os indícios que mostrem esse vínculo

Epilepsia e autismo existe relação

Justin Paget/Corbis

As doenças neurológicas são tão complicadas que em alguns casos até a ciência demora a compreender. É o caso da relação entre epilepsia e autismo, que gera discussões.

Isso porque especialistas tentam encontrar os indícios que mostrem esse vínculo. Alguns acreditam que a relação de ambos tem várias razões.

Um dos motivos poderiam estar associados a crianças, que podem ter herdado ambas as condições ou ter desenvolvido a epilepsia como consequência de uma patologia cerebral comum, como a rubéola congênita ou a síndrome do X-Frágil.

Há ainda aquelas em que o autismo seria decorrente de um processo epiléptico, que interfere no funcionamento de redes específicas atreladas à comunicação e ao comportamento social.

Recentemente, pesquisadores da Universidade de Bath, no Reino Unido, encontraram uma ligação previamente desconhecida entre as crises epilépticas e sinais de autismo em adultos.

O estudo indicou que adultos com epilepsia são mais propensos a ter traços mais elevados de autismo e síndrome de Asperger. A pesquisa constatou que as crises epilépticas interrompem a função neurológica que afeta o funcionamento social no cérebro, resultando nos mesmos traços observados no autismo.

A equipe aplicou testes em voluntários com epilepsia e descobriu que todos os adultos com a doença mostraram traços de autismo. Os especialistas não sabem, ao certo, se esses adultos tiveram um período de desenvolvimento normal durante a infância ou se eram predispostos a terem traços autistas antes do início da epilepsia.

No entanto, eles identificaram que as características de componentes sociais autistas em adultos com epilepsia podem ser explicadas pelas diferenças cognitivas sociais, que têm sido largamente não reconhecidas até agora. Os pesquisadores acreditam que as descobertas podem levar a um melhor tratamento para as pessoas com epilepsia e autismo.

Para entender melhor cada uma, a epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos.

A causa é desconhecida, mas sabe-se que durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Um dos sintomas são as chamadas ‘crises de ausência’, em que a pessoa pode ficar alguns minutos ‘desligada’ e voltar normalmente depois. A doença não é contagiosa, mas a falta de informação causam estigma negativa em pessoas com a doença.

Já o autismo é um transtorno do desenvolvimento caracterizado por prejuízos na comunicação verbal e não verbal, déficits qualitativos de interação social e repertório restrito de atividades e interesses, presentes antes dos 3 anos de idade.

Natália Farah


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