Epilepsia em idosos

Por que a doença é tão difícil de ser identificada em pessoas da terceira idade?

Epilepsia em idosos

A epilepsia, uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos, é uma doença difícil de ser identificada, especialmente em idosos. Nessa faixa etária, as doenças cardiovasculares e outras mais comuns com o envelhecimento inibem o diagnóstico mais preciso.

O eletroencefalograma, exame para confirmar a epilepsia nem sempre ajuda. No entanto, o histórico clínico do paciente torna-se muito importante, já que alguns exames não excluem a possibilidade de a pessoa ser epiléptica.

Um estudo das características clínicas e eletrencefalográficas da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), de 2011, mostrou os aspectos clínicos da ocorrência de crises epiléticas em idosos, frequência, controle e tipo de crise, aderência ao tratamento medicamentoso e caracterização da síndrome epiléptica.

A mostra incluiu 19 pacientes, homens e mulheres, com 60 anos em média, e que iniciaram o tratamento após os 50 anos de idade. O grupo foi submetido a exames neurológicos que incluíam dados cognitivos.

Os pesquisadores identificaram que as crises epiléticas foram em grande número focais (47,3%), ou seja, manifesta-se apenas em parte do cérebro. Nesse teste, as crises tiveram elevada frequência de ocorrência de estado de mal epiléptico.

Estima-se que de 1 a 2% da população idosa tem epilepsia. Com o envelhecimento da população e a estimativa de vida cada vez maior, até 2030, há tendência de haver mais epiléticos idosos, adiantam especialistas.

A causa, muitas vezes, é desconhecida, mas pode ter origem em ferimentos sofridos na cabeça, recentemente ou não. Traumas na hora do parto, abusos de álcool e drogas, tumores e outras doenças neurológicas também facilitam o aparecimento da epilepsia.

A Liga Brasileira de Epilespia informa que, em geral, se a pessoa passa anos sem ter crises e sem medicação, pode ser considerada curada. O principal, entretanto, é procurar auxílio o quanto antes, a fim de receber o tratamento adequado.


Por Natália Farah

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