Epiléticos escondem condição ao procurarem emprego

As faltas por doença e os acidentes de trabalho não são mais freqüentes entre os portadores de epilepsia

Epiléticos escondem condição ao procurarem emprego

Como você reagiria se descobrisse que um colega seu de trabalho ou um chefe fosse portador de epilepsia? Não saber o que fazer diante de uma crise certamente é a resposta mais comum a essa pergunta. Estudos recentes mostraram que de 50% a 60% dos epiléticos escondem a condição ao procurarem emprego.

As faltas por doença e os acidentes de trabalho, no entanto, não são mais freqüentes nesse grupo na comparação com os demais empregados. Quem tem trabalho e começa a apresentar crises em muitos casos é despedido, e quem vai tentar um emprego e conta que tem epilepsia não é contratado. Um dos tópicos da escala de estigma ilustra a questão que, por incrível que parece, ainda é vinculada a magias ou fenômenos sobrenaturais.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que 1% da população mundial é portadora de epilepsia. No Brasil, os epilépticos somam um milhão de pessoas. O neurologista e professor de neurologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Li Li Min, explica que a epilepsia é um sintoma que ocorre quando, por algum motivo, o cérebro não está bem e um grupamento de células cerebrais se comporta de maneira hiperexcitável, o que pode gerar manifestações clínicas, ou seja, as crises epiléticas.

"Para fazer o diagnóstico, é preciso que haja recorrência espontânea das crises. Uma crise única não é indicativa da síndrome. Tem de ocorrer mais de um episódio com intervalo entre eles de no mínimo 24 horas para caracterizar a epilepsia", complementa o professor.

Ambiente escolar - A epilepsia, embora ocorra em qualquer idade, é na infância que aparece com mais frequência. Nessa fase, os pequenos têm crises de ausência, momento em que eles se desligam por poucos segundos, ficam parados e perdem a consciência. Podem ocorrer múltiplas crises seguidas, às vezes associadas a um leve piscar de olhos.

Especialistas reconhecem que as escolas ainda não sabem lidar com o problema. Prova disso está no resultado de um levantamento epidemiológico realizado por pesquisadores da Unicamp. Dos professores ouvidos, 10% acreditam que a epilepsia é contagiosa e 65% não sabem se ela tem controle.

A pesquisa também comparou a enfermidade com outras consideradas graves, como a Aids e Diabetes. "Em uma escala de 0 a 10, o preconceito em relação à Aids, considerada a condição mais estigmatizante na atualidade, ganhou nota 9. A epilepsia ficou entre 7,5 e 8", informou Paula Fernandes, uma das pesquisadoras.

Tratamento - É importante destacar que a epilepsia tem tratamento e os medicamentos são eficazes em 70% dos casos. Em geral, os comprimidos interrompem as crises e o paciente pode levar uma vida normal.

Natália Farah


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