Esquizofrenia: histórias de superação

O isolamento da sociedade é um dos maiores inimigos da esquizofrenia, diz José Cândido de Assis

Esquizofrenia histórias de superação

O esquizofrênico é assim: ele ouve e vê vozes que ninguém mais escuta e enxerga, tem delírios e vive fora da realidade. O tratamento com medicamentos e terapias de apoio ajuda bastante a controlar a doença incurável e a informação desmistificá-la.

No passado, a esquizofrenia foi tratada como loucura e os doentes chegavam a ser internados a vida toda sem dispor de tratamentos adequados. Hoje, os remédios são muito mais eficazes e as internações servem apenas para controlar as crises.

Um dos pacientes mais famosos é o matemático e economista, John Forbes Nash Jr, vencedor do premio Nobel de Economia, em 1994. Ele foi diagnosticado com esquizofrenia quando tinha 36 anos. Hoje, aos 85 anos, Nash está há mais de 5 décadas lutando contra o transtorno e sua história inspirou o filme Uma Mente Brilhante (2001).

No Brasil, José Cândido de Assis vem disseminando a luta diária que enfrenta com a doença desde os 21 anos de idade. Ele é um dos autores do livro "Entre a Razão e a Ilusão: Desmistificando a Esquizofrenia", lançado pela editora Artmed e escrito em parceria com Cecília Cruz Villares e Rodrigo Affonseca Bressan.

O objetivo do livro, resultado de um trabalho de 18 meses, é levar informações de qualidade em uma linguagem acessível. As histórias foram inspiradas em experiências com grupos de pessoas com esquizofrenia durante cinco anos e da experiência de dar aula para os alunos de medicina.

Nele, José conta que em 28 anos passou por cinco crises de esquizofrenia, cada uma diferente da outra. E diz que a vivência é sempre aterrorizante, marcada por sensações de perseguição onde a pessoa se vê no centro de todas as coisas que acontecem ao seu redor. Segundo ele, o isolamento da sociedade é um dos maiores inimigos.

"Isso dificulta muito a relação com a doença, pois após uma crise precisamos de muito apoio. Com o tempo eu refiz um grupo maior de amigos o que tornou as coisas menos difíceis", lembra.

Para ele, é muito importante a adesão ao tratamento, principalmente a tomada correta dos medicamentos. "Mas é preciso lembrar sempre que somos maiores que a doença e devemos manter a esperança procurando novos significados para a vida a partir das questões que ela nos coloca.", finaliza.

Natália Farah


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