Exercícios de fonoaudiologia impedem evolução do Mal de Parkinson

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Estudos recentes concluíram que a alteração vocal aparece em 81% dos casos

Exercícios de fonoaudiologia impedem evolução do M

O tremor nas mãos e a dificuldade na fala estão entre os principais sintomas das pessoas com Mal de Parkinson, doença que afeta 1% da população com mais de 65 anos e 0,4% daqueles com mais de 40 anos. Estudos comprovaram que entre 75% e 92% desse universo tem alterações na voz, o que dificulta a comunicação com o paciente, interfere no convívio familiar, social, profissional e influencia na autoestima do portador que acaba se isolando.

Com a evolução da doença, os músculos da laringe (garganta), das pregas vocais e da boca (língua, bochechas, lábios, céu da boca) são afetados, assim como os outros músculos do corpo. Isso acontece devido a uma lenta destruição das células de determinada região do cérebro (os gânglios da base), havendo redução da produção de dopamina, uma substância essencial para diversas funções do sistema nervoso.

Essa redução pode causar tremores, enrijecimento dos movimentos musculares, além de prejuízos à mastigação e à deglutição (ato de engolir), pois esses músculos tendem a trabalhar de forma mais lenta.

Recentemente, o Instituto de Neurologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro avaliou um grupo de 32 pacientes com Parkinson. Na ocasião, pesquisadores traçaram o perfil clínico dos portadores, apresentaram técnicas fonoaudiológicas tradicionais aos profissionais da área e que desejam atuar na doença e sugeriram intervenções adequadas dos distúrbios da comunicação e deglutição dos pacientes. A conclusão foi que a alteração vocal aparece em 81% dos casos, seguido da dificuldade de engolir (34%). O sexo masculino é o mais afetado (75%).

O acompanhamento de fonoaudiólogos não combate o mal, que ainda não tem cura, mas traz benefícios aos pacientes e impedem o progresso da doença. O método mais usado é o Lee Silverman de Tratamento Vocal (LSTV®), com exercícios como falar em voz alta as vogais A-E-I-O-U, procurando exagerar nos movimentos dos lábios, bochechas e língua e colocar a ponta da língua nos quatro cantos da boca.

A fonoaudióloga Giovana Diaféria, coordenadora do Serviço de Fonoaudiologia na Associação Brasil Parkinson, indica atividades físicas aos pacientes com Parkinson. "Elas auxiliam nos aspectos psicológicos e sociais porque mantêm o paciente ativo e em convivência com outras pessoas."

Atividades físicas impedem evolução da doença

Outras alternativas incluem oficinas de trabalhos manuais, como pinturas, ikebanas, tricô, crochê, bonsai, origami, entre outros. Além das terapias ocupacionais, como o shiatsu, que promove o alívio de dores e relaxamento da musculatura. A profissional sugere também a musicoterapia, que tem grande potencial de atuação por integrar atividades físicas e psíquicas.

"Como a doença não tem cura e é progressiva, não tem como impedir a sua evolução, mas uma combinação bem feita entre tratamento medicamentoso e uma terapia alternativa reduz sua progressão, sendo possível o paciente levar uma vida funcionalmente ativa", finaliza Giovana.

Outras dicas para melhorar a comunicação - voz e fala

• Beber bastante água durante o dia (pelo menos oito copos de água);

• Movimentar/articular bem a boca enquanto fala. Os lábios, as bochechas e a língua precisam se mover amplamente para que os sons sejam produzidos de forma clara e amplificados, assim a boca trabalha como um alto-falante;

• Falar devagar e forte (alto), pois assim fica mais fácil para as pessoas escutarem o que você diz;

• Ao conversar com outra pessoa a dica é posicionar-se em frente a ela. Assim fica mais fácil para vocês se entenderem;

• Treinar falar alto dizendo os dias da semana, meses do ano, contando os números, fazendo a leitura de um texto como noticia do jornal e/ou revista ou cantando uma música.


Por Natália Farah

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