Gordura no fígado

Consumo excessivo de carboidratos e álcool podem atrapalhar a sua saúde

Gordura no fígado

Com a obesidade crescendo em todo o mundo, a estimativa para os próximos anos é que a quantidade de pessoas com esteatose hepática, ou seja, com gordura excessiva no fígado, deva aumentar, principalmente, em virtude do aumento do consumo excessivo de carboidratos e álcool. Pelo menos essa é a avaliação do especialista em gastrocirurgia e orientador de Cirurgias do Aparelho Digestivo do Hospital Israelita Albert Einstein, Vladimir Schraibman, que aponta o estilo de vida contemporâneo e desregrado como um dos pontos mais determinantes para o problema.

De acordo com o médico, pacientes que sofrem com a obesidade e diabetes apresentam esteatose hepática com mais frequência - em cerca de 70% dos casos. "O acúmulo de gordura gera alteração da anatomia e aumento da estrutura do fígado que pode prejudicar futuramente o funcionamento do aparelho digestivo", alerta Vladimir lembrando que cerca de 20% da população brasileira tem gordura excessiva no fígado, conforme estimativa da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

Ele ainda explica que existem dois tipos da doença: esteatose hepática proveniente da dieta e a esteato-hepatite, quando a gordura começa a causar quadros de inflamação hepática. Nos dois casos, as pessoas não apresentam sintomas exclusivos que possam caracterizar a doença. "Os indivíduos sentem cansaço, franqueza e sensação de peso no quadrante superior direito do abdômen", explica. Para pacientes com diabetes (que possuem alto índice glicêmico), a doença provoca o aumento da insulina sanguínea e maior deposição de gordura no fígado.

Diagnóstico e tratamentos

Para quem está acima do peso e não tem visitado o médico com a regularidade que deveria, o diagnóstico da doença é feito por meio do ultrassom de abdômen ou da realização de uma ressonância magnética que devem ser pedidos pelo médico periodicamente, se o paciente apresentar alguns dos sintomas citados acima.

Agora, para aqueles que sempre inventam mil e uma desculpas para fugir das visitas médicas, caso a doença não seja diagnosticada no tempo certo, a esteatose sem tratamento pode gerar quadros de hepatite (inflamação do fígado) e ocasionar, em longo prazo, maior risco de insuficiência hepática e, consequente, cirrose - quadro com eventual necessidade de transplante de fígado.

"Em alguns casos, existe a necessidade da realização de uma biópsia do fígado a fim de melhor avaliar o grau de lesão do tecido. Exame de sangue como a dosagem de transaminases também pode estimar o grau de comprometimento do órgão", destaca o especialista.

Apesar da esteatose ser coisa séria, com o tratamento certo você não corre risco de morte. Então, se você foi diagnosticado com a doença não precisa se desesperar, pois os tratamentos podem ser realizados através de orientação dietética, uso de medicações, redução da ingestão de álcool e carboidratos,além da prática de atividades físicas para redução de peso. Nada muito traumático ou impossível de ser incorporado ao cotidiano normal de uma pessoa. "Para pacientes com obesidade mórbida, a cirurgia de redução do estômago pode ser uma excelente alternativa. Para a população em geral, é importante que se invista em medidas educativas e no tratamento da obesidade", completa Vladimir.

Por Paula Perdiz

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