Hiperidrose - quando o suor vira um transtorno

hiperidrose

Isabel Borges, 22, já passou por várias situações constrangedoras por conta de um simples motivo, a hiperidrose. O suor excessivo nas palmas das mãos surgia justamente quando ela ia cumprimentar algum colega de trabalho ou mesmo andar de mãos dadas com o namorado.

"Passei por vários 'apertos'. As mãos escorregavam também na hora de escrever ou borrava a tinta. Há pessoas que também sofrem muito com as manchas de suor embaixo dos braços e não usam roupas coloridas, pois estas evidenciam mais ainda a transpiração", conta.

Mas com o passar do tempo, a estudante universitária aprendeu a conviver com o mal. Isso através do uso de anti-transpirantes importados feitos especificamente para tratar hiperidrose, entre eles, Odaban e o Driclor. "O tratamento é contínuo. Se parar de usar o produto, o suor volta".

Por conta do incômodo, Isabel teve a ideia de compartilhar as mesmas dúvidas e problemas com outros portadores de hiperidrose e acabou montando o blog "A cura para a hiperidrose" . "Os médicos cogitam que talvez seja um problema hereditário. Infelizmente ainda temos muito pouco conhecimento sobre essa doença, por isso gosto de pesquisar sobre o assunto e dividir isso com outros portadores", diz.

A hiperidrose pode surgir em situações de estresse e ansiedade. Quando você é colocado à prova no trabalho ou mesmo em uma entrevista de emprego, o organismo reage de várias formas, uma delas é com o suor excessivo. A transpiração acontece por conta dos hormônios que estão interferindo na produção das glândulas sudoríparas e apócrinas, responsáveis por liberar o suor, isso principalmente nas axilas, palmas das mãos ou plantas dos pés.

Geralmente o suor em excesso já começa logo na infância ou no início da adolescência, o que pode até prejudicar o rendimento no aprendizado escolar. "As crianças reclamam que os coleguinhas não querem segurar as mãos delas nas brincadeiras de roda, além disso, passam pelo constrangimento de molhar os trabalhos escolares e documentos", ressalta a dermatologista Ada Trindade de Almeida, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e da Sociedade Internacional de Hiperidrose.

Segundo a Sociedade Internacional de Hiperidrose (IHS), a doença afeta mais de 176 milhões de pessoas no mundo e provoca sérios danos na qualidade de vida, entre eles, o distanciamento social. Para se ter uma idéia, uma pessoa com hiperidrose sua quatro ou cinco vezes mais do que o necessário para manter a temperatura do corpo. Um pesquisa da sociedade afirma que 51% das pessoas com hiperidrose afirmam trocar de roupa pelo menos 2 vezes ao dia. E 63% desses mesmos portadores se sentem infelizes ou deprimidos.

Quando o mal dá sinais logo na adolescência a causa é genética. Mas também pode ser conseqüência de algumas doenças, entre elas, hipertensão, infecções ou diabetes. Por isso é importante procurar um dermatologista para que ele saiba qual é exatamente a causa, mesmo porque, às vezes, os suores acontecem apenas por conta do estresse ou da menopausa.

A especialista sugere algumas dicas de controle para a disfunção, como o uso de toalhas absorventes para as mãos e aplicação de soluções concentradas à base de anti-transpirantes. Para o tratamento, um dos métodos mais utilizados e eficazes é a aplicação da Toxina Botulínica tipo A.

Almeida explica que o procedimento é considerado simples, rápido, pouco invasivo. É aplicado por meio de uma injeção intradérmica na área acometida. "O uso da toxina botulínica traz benefícios importantes para os pacientes, pois é uma das alternativas mais seguras e eficazes, não necessita de internação e proporciona resultados duradouros", assegura a médica.

A toxina botulínica tipo A é injetada superficialmente sob a pele, atuando nas glândulas sudoríparas. O medicamento bloqueia a liberação da acetilcolina nestas glândulas e reduz a produção de suor. A duração do efeito é de aproximadamente nove meses, dependendo da área tratada, dosagem de tratamento e metabolismo do paciente.

Comente

Últimas