HIV e exercícios

HIV e exercícios

No final dos anos 80, as pessoas infectadas pelo HIV tinham que aprender a viver com o desespero. Hoje, convivem com a esperança.

A infecção pelo HIV hoje é considerada uma doença crônica com mais de 15 anos de duração e manifestações variadas.

As mudanças na abordagem terapêutica melhoraram a longevidade dos pacientes, mas produziu questões intrigantes: exercícios podem beneficiar pessoas HIV positivas? Quais são os mais recomendados? Será que a prática regular de exercícios não aumentará a perda de peso e massa muscular, agravando a doença?

De volta às academias

Exercícios moderados melhoram a imunidade do corpo. Pessoas com HIV apresentam um risco maior de infecções pulmonares e os exercícios, neste caso, poderiam atuar diminuindo a gravidade e a freqüência destas infecções.

Contudo, existem evidências mostrando que atletas sob treinamento severo podem, na verdade, enfraquecer suas células brancas (responsáveis pela defesa do organismo).

Some-se a isto que a infecção pelo HIV resulta em um estado hipermetabólico (ou seja: mesmo sentado, descansando, o paciente ainda gasta mais energia que pessoas não-infectadas e tem-se o prato cheio para uma discussão: pacientes HIV podem ou não praticar exercícios? Com este dilema em mãos, pesquisadores no mundo todo têm se interessado em compreender como a prática desportiva afeta indivíduos HIV positivos.

Um estudo realizado desde 1990 mostrou que homens HIV positivos apresentavam melhoras no sistema imune após 10 semanas de exercícios aeróbicos e que a prática desportiva associou-se a uma maior sobrevida.

Outros estudos com indivíduos HIV+, incluindo pacientes com AIDS, mostram resultados igualmente encorajadores. Um estudo da International Conference, em Berlim, demonstrou que exercícios aeróbicos em indivíduos HIV+ associavam-se a estabilização da contagem de células T4. Este mesmo estudo sugeriu que os pacientes que se exercitam apresentam menos infecções oportunistas.

Os medicamentos para tratar o HIV não impedem a pessoa de exercitar-se, mas alguns destes remédios podem causar anemia, diminuindo a oferta de oxigênio no corpo. A anemia pode limitar a tolerância ao exercício, causando fadiga excessiva. Quando eram utilizadas altas doses de AZT, a anemia era um problema sério. Contudo, hoje em dia, com o uso de baixas doses de AZT combinadas com outros antivirais, a anemia tornou-se menos freqüente.

Ainda, algumas pessoas HIV+ apresentam uma doença chamada Neuropatia Periférica, que causa dormência ou formigamento nos pés, e devem tomar cuidado para não causar traumas em seus membros inferiores devido à falta de sensibilidade.

O aumento do metabolismo pela prática de exercícios realmente pode aumentar a perda de massa muscular, mas isto pode ser contornado aumentando a ingestão calórica e seguindo um programa de exercícios bem monitorado.

Estudos recentes têm mostrado que a prática de exercícios por pessoas HIV+ não apenas é segura e possível, mas também afeta positivamente vários sistemas do corpo. Estes benefícios foram observados segundo parâmetros psicológicos, fisiológicos e imunológicos.

O sedentarismo, associado a fatores psicológicos, contribui para a perda de massa muscular, fraqueza e fadiga extrema observada em algumas pessoas HIV+. Não se deve menosprezar a diminuição da ansiedade e da depressão observada em pessoas HIV+ com o advento de um programa de exercícios - parte devido à sensação de reinserção em um contexto social, parte decorrente da maior liberação de opióides e neuropeptídeos endógenos (ex: endorfinas) que ocorre durante a prática de exercícios aeróbicos.

Concluindo, são necessários ainda mais estudos para determinar se a prática de exercícios por si só melhora o sistema imune, mas exercitar-se com certeza melhora o humor e a disposição de um modo geral em pacientes HIV+.

Recomendações

A Associação Médica Americana sugere 1 hora de exercícios diários, 3 vezes por semana, cada sessão consistindo de 20 minutos de bicicleta ergométrica ou esteira com 60-80% da freqüência cardíaca máxima estimada para a idade. Após isto, 10-15 minutos de alongamento e 20-25 minutos de musculação.

Finalmente, antes de voltar para a academia, pessoas HIV+ devem ficar atentas às seguintes recomendações:

  • Manter a atividade física é importante em qualquer estágio da doença, mas consulte seu médico antes de começar a praticar exercícios.
  • De preferência, comece enquanto ainda está assintomático, ou seja, sem sintomas presentes.
  • Indivíduos sintomáticos devem evitar exercícios pesados, intensos ou extenuantes. Faça sempre um bom aquecimento antes de exercitar-se.
  • Alongue antes e depois dos exercícios.
  • Não existem riscos musculoesqueléticos especiais (como torções, distenções, artrites, etc) para pessoas HIV+, mas conheça e respeite sempre seus limites.
  • Os excessos podem ser mais prejudiciais que o sedentarismo, por isso não se recomenda exercícios exaustivos, extenuantes ou competitivos.
  • Lembre-se de aumentar a ingestão diária de calorias assim que iniciar a prática de exercícios.
  • Ainda não está claro quais alimentos possuem o melhor conteúdo calórico para pessoas com HIV, por isso, mantenha um hábito alimentar saudável e bem balanceado.
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