Medo do descanso

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Medo do descanso

Impossível não ficar feliz com a possibilidade de passar um mês de férias, sem ter responsabilidade com nada, certo? Errado! Pelo menos é assim que pensam as pessoas que sofrem com o estresse de férias ou vacation phobia (medo de férias, em inglês).

Inseguros em uma época em que as vagas de trabalho minguam e os contratos temporários se multiplicam, boa parte de executivos e profissionais liberais enfrenta o curioso problema trabalhando ainda mais.

"Isso acontece porque apesar de a maioria das pessoas saber que é uma pausa indispensável para a manutenção da qualidade de vida, algumas simplesmente não conseguem se desligar dos compromissos diários", afirma o psicólogo Frederico Cardoso, de São Paulo.

Segundo dados da International Stress Management Association-Brasil (Isma-BR), entidade com filiais em 12 países e que se dedica à prevenção e ao tratamento do estresse, o medo de férias tem aumentado. É o que comprova a última pesquisa da Isma-BR sobre o assunto, realizada com 678 profissionais, na faixa etária entre os 25 e 55 anos, moradores das cidades de São Paulo e Porto Alegre. Dos pesquisados, 38% admitiram ter medo de dar uma pausa muito grande no trabalho e tirar férias de 30 dias.

Para Frederico Cardoso, as pessoas, atualmente, ao se obrigarem a fazer tudo, não suportam a pressão e têm receio de ficar muito tempo paradas sem fazer nada. Sentem que estão ficando para trás e acham que na volta terão serviço dobrado. "Mas é preciso controlar as ansiedades para que o estresse não chegue à fase de exaustão, que leva a instabilidade emocional e doenças", diz Cardoso.

A história da administradora paulistana Aline Reis*, 56 anos, é exatamente o que uma pessoa sofre. "Criei a paranóia de que estava despreparada para subir de cargo. Acreditava que para conseguir, tinha que me esforçar muito. Passava o maior tempo possível na empresa. Marcava reuniões para as sete da manhã e não chegava em casa antes das onze da noite", conta.

Aline Reis parecia um zumbi. Tinha a sensação permanente de que algo sairia errado no dia seguinte: "Quando adiaria as férias pela quarta vez, tive um infarto que acabou por me salvar. Pude reposicionar a vida." Ela ficou longe do trabalho por vários meses e fez um acordo logo após o retorno. "Atualmente, trabalho no máximo sete horas por dia e ganho mais", festeja.

Mas como evitar chegar a esse extremo? A psicóloga Clara Ferraz diz que tudo depende de como lidamos com as situações. "Por mais óbvio que pareça, as férias não programadas ou mal-programadas, em que não haja tempo para relaxar, descansar e recarregar as baterias, podem gerar um forte estresse, assim como qualquer outro momento do cotidiano", pondera.

Outro grande perigo está nos extremos. O excesso, ou mesmo nenhuma atividade praticada durante as férias, também pode causar estresse. O planejamento faz a diferença nessa hora. "O importante é se desligar do trabalho e de problemas pessoais. Não é bom "aproveitar" as férias, por exemplo, para fazer uma cirurgia ou resolver alguma pendência", aconselha.

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