Mitos e verdades da epilepsia

A epilepsia não é contagiosa, e sim um conjunto de doenças com causas, em geral, desconhecidas

Mitos e verdades da epilepsia

Qualquer doença neurológica, como a epilepsia, ainda assusta muita gente, simplesmente pela falta de conhecimento e informação a respeito.

Para começar, a epilepsia não é contagiosa e sim um conjunto de doenças com causas, em geral, desconhecidas. No entanto, pode ter ligação com doenças estruturais como neurocisticercose, derrames, tumores, sequela de acidentes até predisposição genética.

Outros fatores que favorecem a epilepsia são traumas na hora do parto, abusos de álcool e drogas, tumores e outras doenças neurológicas. Em 70% dos casos, as crises são controláveis e muitas pessoas que têm epilepsia levam uma vida normal.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 5% da população terá, ao menos, uma crise na vida. Por isso, é importante entender um pouco mais sobre a doença que ainda é rodeada de muitos mitos.

Saiba o que é mito e verdade sobre a epilepsia

Durante uma crise devemos impedir que o paciente engula sua própria língua

Mito: esse é um erro comum e perigoso. A língua não enrola e o paciente não é capaz de engoli-la. Não se deve em hipótese alguma introduzir os dedos dentro da boca do paciente (pelo risco de lesões graves nos dedos) e tampouco introduzir objetos rígidos (pelo risco de lesões dentárias e gengivais graves). O correto é virar o paciente de lado, protegê-lo, deixar que a saliva escorra e aguardar calmamente que a crise acabe, o que ocorre geralmente antes de 3 minutos.

As crises podem ser bem controladas com medicamentos

Verdade: o uso regular de uma ou duas medicações é capaz de controlar adequadamente as crises em 70% dos casos. Muitos dessas medicações são distribuídas gratuitamente na rede pública.

Convulsão e ataque epiléptico são sinônimos

Mito: a convulsão é apenas um tipo de ataque epilético. A convulsão é mais intensa e o paciente perde os sentidos e se debate, podendo morder a língua e urinar na roupa. Mas existem crises mais fracas, manifestas por breves desligamentos, formigamentos ou contrações restritas a alguns grupos musculares. Se ocorrerem de maneira recorrente, configuram epilepsia.

Epilepsia tem tratamento, mas não tem cura

Mito: existe a possibilidade de cura em alguns casos. Seja porque o paciente ficou muito tempo sem ter crises (mínimo de dois anos) e a medicação foi descontinuada sem recorrência das crises, após um procedimento cirúrgico que retirou a causa das crises, ou pelo próprio amadurecimento do cérebro em alguns tipos de epilepsias infantis.

A saliva durante uma convulsão pode transmitir a doença

Mito: a epilepsia não é uma doença contagiosa. No entanto, a saliva pode transmitir (mesmo que raramente) algumas doenças infecciosas. Por isso não é recomendado o contato desnecessário com a saliva de um desconhecido sem mecanismos de proteção.

Pacientes com epilepsia têm dificuldades mentais

Mito: a maioria dos pacientes com epilepsia tem inteligência absolutamente normal, alguns até acima da média. Uma pequena parcela apresenta patologias que causam dificuldade intelectual associada às crises.

O paciente com epilepsia pode levar uma vida normal

Verdade: pacientes bem controlados podem e devem trabalhar, praticar esportes, casar, ter filhos, etc. Até mesmo dirigir o paciente pode após dois anos de controle e bom seguimento clínico.

Natália Farah


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