Mr. Jones: filme levanta questões sobre bipolaridade

Estrelado por Richard Gere, a obra ajuda a entender melhor como funciona a doença

Mr Jones filme levanta questões sobre bipolaridade

O ator Richard Gere, no filme ‘Mr. Jones’, interpreta Jones, um homem de 36 anos charmoso, impulsivo e irresistível, que atrai a atenção das mulheres pelo encanto e energia vital. O comportamento começa a estranhar quando ele intercala momentos de euforia com enormes desesperos, o que leva a psiquiatra Elizabeth Bowen, representada por Lena Olin, a ajudá-lo.

Embora o filme seja de 1993, levanta uma questão séria e sempre atual a respeito da bipolaridade, também conhecida como Transtorno Bipolar. Trata-se de uma patologia clínica que afeta 4,2 milhões de brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria e bastante banalizada pelos leigos.

O filme aborda assuntos interessantes sobre identidade e como os diferentes estados de ânimo que enfrentamos são determinados por desequilíbrios químicos do cérebro. Nele, o personagem principal confronta sua psiquiatra diversas vezes afirmando que ele não é doente. E que a "doença" faz parte de quem ele é.

De acordo com a psicóloga, Elaine di Sarno, o conceito de identidade é muito escorregadio e questiona até que ponto somos determinados pela nossa neuroquímica. A especialista vai além e estimula um pensamento: se tomássemos uma pílula que modificasse os nossos estados de ânimo completamente, deixaríamos de ser nós mesmos?

Ela responde: "Na medida em que podemos alterar os nossos cérebros mais radicalmente, ele terá que ser repensado totalmente", escreve em seu site.

A informação a respeito da doença ainda é o melhor caminho para entendê-la: como funciona e acontece o tratamento do transtorno com origem psiquiátrica e caracterizado pela alternância de crises de euforia, as chamadas manias, e de depressão.

As crises podem durar dias ou até semanas. As manifestações de euforia deixam a pessoa agitada, agressiva, com excesso de autoconfiança, aumento da libido, diminuição do sono e comportamentos compulsivos.

Quase 60% dos casos de bipolaridade surgem como depressão. Confundi-la com outras doenças, como a esquizofrenia, é comum em transtornos mentais. Para descobrir o transtorno bipolar, os médicos dependem de um diagnóstico clínico e sintomas do paciente.

O diagnóstico precoce sem dúvidas permanece na lista de prioridades para detectar a doença, que não tem cura. O tratamento acontece com ajuda médica e medicamentos. Outras medidas são manter um estilo de vida saudável, com rotinas de horário para dormir e acordar, restrição do uso de estimulantes, como a cafeína e drogas, além de terapias individuais.


Por Natália Farah

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