O drama do alcoolismo cresce entre as mulheres

O drama do alcoolismo cresce entre as mulheres

A novela das oito está mostrando o drama da personagem Renata, interpretada por Bárbara Paz. Sem reconhecer o próprio alcoolismo, ela vê na bebida a saída para todos os problemas e uma escapatória certeira da depressão. Renata não está sozinha.

O número de mulheres dependentes do álcool aumentou nas últimas décadas, conforme indica o "I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira". A pesquisa investigou em detalhes como o brasileiro bebe e mostrou que, em duas décadas, a proporção de mulheres entre a população alcoólatra passou de 10% para 30%.

De acordo com a pesquisa, 23% dos brasileiros (homens e mulheres) bebem frequentemente e pesado. Entre as mulheres, 17% bebem mais de quatro doses - considerado abusivo - e 63%, menos de duas. A pesquisa, feita pelo Conselho Nacional Antidrogas, em parceria com a Secretaria Nacional Antidrogas e a Universidade Federal de São Paulo, revelou também que 12% da população têm algum problema com o álcool.

O diretor do Centro Terapêutico Novo Horizonte, que fica em Itu, interior de São Paulo, Adriano Alves, analisa que a independência feminina seria a maior razão desse aumento no número de mulheres alcoólatras. "Foi um processo similar com o cigarro. Com o decorrer dos anos, as mulheres buscaram várias formas de se autoafirmar perante a sociedade. Antes era o cigarro, agora é o álcool", afirma.

Ele diz que ainda não é possível estabelecer um padrão, de quando e porque a mulher começa a beber. "Estudos que dizem que a maior parte das mulheres bebe como forma de se livrar dos sintomas da depressão inicial. Por outro lado, existe a tese que algumas fazem isso como forma melhorar o relacionamento com amigos", comenta. "Mas, sem dúvida, a influência dos pais é fundamental neste processo. Nos 17 anos de trabalho do Centro Terapêutico, podemos notar que 50% dos pais de jovens dependentes também bebem". Segundo Adriano, o alcoolismo é uma doença que afeta não apenas o paciente, mas toda a família, por meio da codependência.

Nem toda mulher sabe que que está consumindo em excesso. E aí mora o perigo de ser alcoólatra e nem saber. "A síndrome da dependência do álcool é uma doença caracterizada por compulsão (necessidade forte e desejo incontrolável de beber), perda de controle (inabilidade de parar de beber uma vez que já começou) e dependência física (com sintomas de abstinência como náusea, suor, tremores e ansiedade). Esses sintomas são aliviados com a ingestão da bebida ou outra droga sedativa. Quando a tolerância ao álcool diminui e a necessidade de beber fica cada vez mais para se sentir alto, é preciso atenção. "Não são necessários todos os elementos para caracterizar a doença. Mas se a pessoa já se deparou com esses sintomas, é hora de procurar ajuda", sugere Adriano.

Segundo ele, existem várias formas de tratamento, que começam com o apoio familiar e passam por acompanhamento psicológico em grupo ou individual, acompanhamento psiquiátrico e, em último caso, internação. "Procurar um profissional qualificado de imediato pode ser essencial para a pronta recuperação da paciente. Mas sempre se deve ter em mente que o alcoolismo não tem cura", lamenta Adriano. Isso significa que o dependente, nesse caso, sempre está sujeito à recaídas. "Por isso, continuar bebendo socialmente pode ser uma grande armadilha".

A drunkorexia (anorexia com bebida alcoólica) também é uma (nova) grande entre as mulheres. Elas deixam de se alimentar para beber. "Além de causas estéticas, essa doença é impulsionada por cobranças do mercado, angústias e compulsões profissionais. Buscando manter um corpo dentro do padrão exigido, algumas pessoas restringem o consumo necessário de nutrientes para o organismo e descontam seus anseios na bebida".


Quem bebe compulsivamente tenta se livrar da depressão, buscando momento de prazer, seguindo a mesma lógica das drogas em geral. Quer fugir da realidade. Ou então, vê-la pelo fundo da garrafa.

Comente

Últimas