O perigo das carnes processadas

Estudos revelam que o consumo aumenta o risco de câncer e de doenças cardiovasculares

O perigo das carnes processadas

Estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta o surgimento de 520 mil novos casos de câncer no biênio 2012-2013. E segundo informações divulgadas no Congresso Brasil Prevent 2012, evento que debate medidas de prevenção cardiovascular, 320 mil pessoas morrem em decorrência de doenças cardíacas anualmente no país.

Esses números assustadores são temas constantes de pesquisas e estudos. O mais recente vem da Europa e foi publicado na revista "BMC Medicine". Ele concluiu que o consumo de carne processada aumenta o risco de mortalidade, especialmente por doenças cardiovasculares e câncer. Entende-se por alimentos processados o salame, linguiças, salsicha, hambúrguer, nuggets, presunto, entre outros.

Foram examinados 448.568 indivíduos, com idades entre 35 e 69 anos. Os participantes foram acompanhados por 13 anos. Neste período aproximadamente uma pessoa em cada grupo de 17 faleceu, sendo que quase 10 mil faleceram de câncer e 5,5 mil por doenças cardiovasculares.

Segundo a Dra. Annie Bello, nutricionista do Instituto Nacional de Cardiologia, o primeiro estudo sobre o tema foi divulgado em 2010. "Ele associou o consumo de carnes processadas ao diabetes e às doenças cardiovasculares, por conta do alto conteúdo de sódio e nitrato presente nesses alimentos". Já neste estudo recente foi encontrado outro composto, o L carnitina, um agressor quando metabolizado no nosso intestino.

Durante o Congresso da Socerj, que aconteceu entre os dias 03 e 06 de abril de 2013, Dra. Annie Bello apresentou o trabalho "Consumo de alimentos ultraprocessados interfere na qualidade da dieta de indivíduos cardiopatas" e garante que é preciso ver com grande seriedade as pesquisas divulgadas sobre o tema.

"Além das carnes processadas, os alimentos da classe dos ultraprocessados (pães, biscoitos, sucos industrializados, refrigerantes, alimentos prontos para o consumo e alimentos de padaria) também precisam ser restritos na alimentação pela alta densidade calórica e o perfil nutricional desfavorável", alerta.

A especialista explica também que os estudos mostram que alimentos processados têm efeito maléfico quando seu consumo é superior a 100g. Portanto, em pequenas quantidades e em baixa frequência, pode fazer parte de um plano alimentar saudável. Mas o consumo dessas carnes deve ser exceção no hábito alimentar.

"As doenças cardiovasculares e câncer integram o grupo das doenças crônicas e devem ser tratadas como tal, ou seja, não adianta evitar por uma semana o consumo desses alimentos processados e na outra semana voltar a consumir", diz Dra. Annie. "É preciso implantar bons hábitos alimentares e realizar modificação do estilo de vida, incluindo, além de boas práticas de alimentação, o exercício físico regular", completa.

Uma forma de modificar a alimentação é fazer a devida substituição de itens processados e ultraprocessados por carnes frescas (vermelha, frango ou peixe e o ovo). "Se não der para abrir mão do hambúrguer, faça caseiro com carne moída. E os presuntos podem ser substituídos pelos queijos de baixo teor de gordura", sugere a nutricionista.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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