Pílula anti-barriga: solução ou problema?

Pílula antibarriga solução ou problema

Para quem já ouviu falar do Acomplia, conhecido popularmente como a "pílula anti-barriga", e logo se animou em desfilar com cinturinha fina sem nenhum esforço, muita calma. A solução para aquela "gordurinha" inconveniente continua sendo a velha combinação: boa alimentação mais exercícios físicos.

O remédio, produzido na França e liberado para importação brasileira em abril, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), promete queimar gorduras localizadas em volta dos órgãos viscerais, como o fígado, o que externamente reflete na região do abdome. O rimonabanto, princípio ativo do medicamento, também contribui para o tratamento de diabetes e hipertensão.

Na prática, isso significa que o remédio só pode ser usado por pacientes que tenham o Índice de Massa Corporal (IMC) - peso dividido pela altura ao quadrado - acima de 25, sejam portadores de doenças como diabetes ou hipertensão, ou, ainda, tenham alto índice de triglicérides no sangue. "É um remédio muito sério, que não deve ser associado à vaidade, mas ao tratamento de uma doença, como a obesidade abdominal", ressalta a endocrinologista.

Segundo Vivian, a droga pode ter efeitos colaterais, como modificações do humor, ansiedade e depressão. Por isso, como toda medicação, deve ser prescrita por um médico e associado as prática de exercícios físicos e dieta. "Qualquer tratamento desse tipo deve vir junto com uma mudança de estilo de vida", afirma ela.

Na opinião do endocrinologista e presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, Henrique Suplicy, o termo "anti-barriga" é incorreto. "O medicamento provoca uma perda de peso, mas não é algo absurdo. Ele deve ser indicado como um tratamento de saúde. Além disso, não pode ser tomado por pessoas com depressão e sintomas fortes de ansiedade", reitera.

Vertigens, náuseas, infecções nas vias respiratórias, sonolência, ansiedade e depressão. Estes são alguns dos possíveis efeitos colaterais provocados pelo medicamento. Mas, segundo Vivian Estefan, tais sintomas se manifestam em apenas 20% dos pacientes. "O remédio ainda passa por estudos e observações. Ele está começando a ser usado na prática", explica a endocrinologista.

Para Cristina Cardoso, 34 anos, o Acomplia não causou nenhum tipo de efeito colateral. "Sempre fui gordinha e com problemas associados a níveis altos de insulina, hormônios alterados e ovários policísticos. Por isso, tomei vários medicamentos para emagrecer. Mas todos me deixavam sem dormir e com dor de cabeça. Com este, não estou sentindo nada e, em quatro meses, já emagreci 13 quilos - boa parte deles na barriga, onde meu corpo mais acumula gordura. Como a pílula reduziu cerca de 40% do meu apetite, estou aproveitando para abandonar a fritura e aderir aos alimentos integrais. E até comecei a pensar em fazer exercício", conclui.

Já para a professora Clara Maria Borges, 28 anos, os efeitos colaterais da droga de fato foram significativos. "Apesar de estar me ajudando a emagrecer - sequei oito quilos em dois meses -, já pensei várias vezes em desistir dele. Quando não tenho náusea, fico extremamente irritada ou, pior, entro em depressão. Essas oscilações emocionais duram dois ou três dias, mas interferem na relação com a minha família, porque fico passiva, sem querer participar de nada e com vontade de chorar. Minha médica falou para eu agüentar firme, porque ainda tenho de emagrecer 21 quilos - a maior parte no abdome", conta ela, atualmente com 87,5 quilos.

Segundo estimativas da Anvisa, o medicamento poderá passar a ser produzido no Brasil, em agosto. Até o momento, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, órgão que estabelece o preço dos remédios, ainda não definiu o valor que o produto será comercializado no país.

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