Projeto de preservação da fertilidade feminina

fertilidade feminina

Apesar de não abrirem mão da carreira, muitas mulheres ainda sonham em casar e ter filhos. Quando encontram um bom parceiro e estão com certa estabilidade financeira, logo querem partir para a maternidade.

Mas nem sempre esse sonho é realizado, por diversas causas. Uma das mais comuns é a infertilidade.

Acredita-se que 15% da população sofra de infertilidade. A responsabilidade é, normalmente, 40% dos homens, 40% das mulheres e 20% do casal. Essa população pode procurar clínicas especializadas para resolver o problema, porém nem todos têm condições financeiras para arcar com as despesas. Em especial quando sofrem com alguma doença grave.

"Mulheres em quimioterapia têm entre 40% e 100% de chances de ficar infértil. Estima-se que temos hoje oito mil mulheres com a doença, somente no Estado de São Paulo. São cerca de 1.200 pacientes por ano que perdem a chance de ter filhos", afirma Caio Parente Barbosa, professor responsável pelo setor de Genética e Reprodução Humana da Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André, região metropolitana de São Paulo.

A instituição, aliás, inaugurou, no último dia 11 de dezembro, um prédio próprio para realização de inseminações, consultas, exames e até mesmo procedimentos cirúrgicos. "O ABC Paulista sediará o maior serviço de reprodução assistida do país. Hoje, já realizamos mensalmente cerca de 100 ciclos de fertilização. São 300 a 400 novas consultas todos os meses", comemora o professor.

No segundo andar da nova construção, ficam localizadas as salas de atendimento do primeiro projeto brasileiro de preservação da fertilidade feminina, chamado "Ideia Fértil". Ele foi criado com o objetivo de captar recursos para quem não tem como pagar por um tratamento para reprodução em clínicas. "Normalmente, casais que planejam fazer esse tratamento se programam e guardam dinheiro durante algum tempo, até que consigam a verba suficiente. Esse planejamento não é possível quando a mulher enfrenta doenças graves, como um câncer", diz Caio.

Qualquer mulher adulta de até 42 anos de idade pode ser beneficiada pelo programa, desde que não tenha condições financeiras e corra o risco de perder a fertilidade - é o caso daquelas que passam por quimioterapia, por exemplo.

Porém, as causas mais comuns para a infertilidade feminina são outras: endometriose - quando o tecido que reveste o útero aparece em áreas fora desse órgão - e razões endócrinas, como ovário policístico e aumento da prolactina, que dificulta a ovulação.

Iniciativas como o "Ideia Fértil" são importantes, pois não existe um perfil de pacientes mais suscetíveis a ficar estéreis. Também não há uma maneira eficaz de prevenção da infertilidade. "Porém, algumas medidas podem ajudar: não fumar, já que esse hábito diminui a vida útil dos ovários; e manter o peso adequado. O excesso ou falta de gordura interferem no processo de formação dos hormônios femininos", explica o professor responsável pelo setor de Genética e Reprodução Humana da FMABC.

O importante, então, é nunca deixar a saúde de lado. Realize exames de rotina periodicamente e, caso perceba alterações no ciclo menstrual, procure um ginecologista. Ele irá investigar se existe alguma doença e qual o tratamento apropriado.

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