Quando a ansiedade vira transtorno

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Saiba como identificar se alguns sintomas são sinal de Transtorno de Ansiedade Generalizada

Quando a ansiedade vira transtorno

A ansiedade não é luxo pra ninguém. Quase todo mundo, em determinada fase da vida, sente esse aperto estranho no peito. As mudanças enfrentadas ao longo da existência - de casa, emprego, chefe, escola, namorado e marido - causam um desconforto em relação ao amanhã. Mas, quando queremos controlar o futuro, precisamos tomar cuidado para que isso não se torne obsessão. Se isso acontece, é possível que se desenvolva uma doença chamada de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).

"A pessoa que tem TAG se caracteriza por apresentar uma intolerância aliada à incerteza em relação ao futuro", afirma o psiquiatra e mestre em neurociências e comportamento pela Universidade de São Paulo (USP), Geraldo Possendoro. Esse tipo de paciente sempre encontra uma razão para ficar ansioso, inquieto, cheio de preocupações e questionamentos acerca do que irá acontecer. Essa razão não precisa ser algo importante, como uma cirurgia. Pode ser um compromisso qualquer, como um encontro ou jantar de negócios.

A patologia também interfere no cotidiano das pessoas afetadas, através de dificuldades para dormir, tensão e decorrentes dores musculares, principalmente na região posterior do pescoço, nos ombros e na fronte.

Geraldo, que também é terapeuta, explica que a doença não é muito diagnosticada nos dias de hoje. "Eu acho que isso acontece porque vivemos numa era de ansiedade, com mudanças o tempo todo, e isso acaba fazendo com que se considere normal que a pessoa esteja sempre ansiosa".

Segundo ele, o paciente com TAG pode chegar ao consultório de um psiquiatra com apenas um sintoma aparentemente comum, e cabe ao médico investigar o comportamento apresentado. Um exemplo seria a pessoa que sente frequentes dores de cabeça e resolve procurar um neurologista, que descobre que tais dores são consequência de ansiedade e encaminha o caso para um psiquiatra. Esse psiquiatra deverá descobrir o porquê de tanta angústia.

No caso descrito acima, o ideal seria que o paciente tivesse procurado pelo psiquiatra logo no início. "É comum, no Brasil, as pessoas procurarem o neurologista quando apresentam problemas de comportamento", revela Geraldo. Tal equívoco ocorre por causa do tabu que ainda existe a respeito dos psiquiatras, quase sempre entendidos como "médicos que tratam loucos", quando são, na verdade, profissionais especialistas em distúrbios comportamentais.

É difícil diagnosticar o TAG, pois ele pode ser facilmente confundido com outras doenças, especialmente Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e Síndrome do Pânico. A diferença está na frequência do estado de ansiedade do paciente. Quem tem TOC ou Síndrome do Pânico pode apresentar crises de ansiedade - momento de tensão emocional que, em geral, ocasiona taquicardia, muita transpiração -, mas quem tem TAG está sempre ansioso e demasiadamente preocupado com o futuro, sofrendo por antecedência.

Há dois tipos de tratamento para esse tipo de transtorno: uso de medicação ou técnicas de medicina comportamental. "Para mim, o melhor tratamento consiste numa combinação dos medicamentos e das técnicas, que são sempre mais importantes", diz o psicoterapeuta. De acordo com ele, os remédios não têm muitos efeitos colaterais nem são aqueles mais fortes, tarja preta. Além disso, existem muitas técnicas medicinais para tratar a patologia, como respiração diafragmática, meditação e técnicas de relaxamento muscular.

Para Geraldo, o progresso do tratamento depende dos esforços e da persistência do paciente. "Não acredito que a pessoa se cure completamente, mas após um longo período de investimento em medicações e terapia comportamental, alguns pacientes não precisam mais dos remédios". Isso já é uma boa notícia para os pacientes.

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