Radiologia: cirurgia sem cortes

Radiologia cirurgia sem cortes

O método de radiologia intervencionista, no mercado há menos de 20 anos, pode ser considerado uma revolução para a medicina. Por meio de cateteres minúsculos, esta técnica é capaz de tratar doenças graves e substituir cirurgias delicadas, sem cortes, anestesias gerais ou internações.

"Em alguns casos, a radiologia produz o mesmo resultado que as cirurgias comuns, mas é menos invasiva, sem internações demoradas, cicatrizes e anestesia geral. No mesmo dia da operação, o paciente pode voltar às suas atividades normais", afirma Henrique Elkis, radiologista e cirurgião endovascular do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.

Com grande abrangência sobre as doenças humanas, a radiologia intervencionista tem apresentado grande crescimento e popularização. Aneurismas, miomas, cânceres e varizes são alguns dos exemplos que apresentam visível melhora e até cura por meio desta técnica.

Raquel Silvia dos Santos utilizou o método para a retirada de um mioma uterino há quatro meses. "O mioma estava comprometendo quase 90% do meu útero. Se fizesse uma miomectomia (procedimento cirúrgico de retirada do mioma), eu correria o risco de perder o útero", conta a recepcionista, de 27 anos. Quando soube da gravidade de seu problema, Raquel optou pela radiologia. "Estou me sentindo muito bem. Fui para casa no mesmo dia da operação e em pouco tempo o sangramento estancou. Fiz uma ressonância recentemente e é notável a diminuição do mioma. Não tenho cicatrizes e parece que nunca passei por isso", afirma ela.

As conseqüências de uma miomatose não tratada podem ser devastadoras para o corpo feminino. Miomas podem causar grandes sangramentos, fortes cólicas e sensação de peso abdominal.

A radiologia intervencionista atua de forma decisiva nesses casos. Com apenas anestesia local, o especialista punciona as artérias que irrigam o mioma, a partir da virilha da mulher, e as entope com cateteres de diâmetros finíssimos. Sem a chegada de sangue, o mioma morre aos poucos até desaparecer completamente após alguns meses.

No caso de cânceres, o procedimento funciona de outra forma. O cateter introduzido na artéria libera quimioterápico diretamente no tumor, diferentemente da quimioterapia, que submete o corpo inteiro ao procedimento. Mergulhado no quimioterápico, o tumor diminui e não cresce. "Em cânceres de fígado, por exemplo, a prática é muito segura. Alguns tumores são grandes e não podem ser operados. Depois da quimioembolização (nome dado ao procedimento), eles diminuem, permitindo a retirada", explica Elkis.

A radiologia intervencionista é bastante utilizada em pacientes que estão à espera de transplante de fígado, pois, como paralisa o crescimento do nódulo, possibilita que o paciente espere o transplante, muito difícil e demorado no Brasil. Segundo o oncologista Jorge Luiz Nahas, os procedimentos cirúrgicos variam a cada caso. "Não há como identificar qual intervenção é melhor, depende do avanço da doença. Um procedimento complementa o outro", afirma ele. Desta forma, é sempre bom consultar o médico para identificar quais são os métodos mais indicados para seu problema.

Já no caso de varizes nas pernas, o procedimento é mais prático. A radiologia intervencionista pode tratar desse problema de forma ambulatorial, ou seja, no consultório, sem anestesias, cortes ou internações. "Normalmente tem que ser feita uma cirurgia de retirada da veia doente. Neste caso, o cateter aquece e cauteriza esta veia, sem necessidade de arrancá-la. É um método bom, pois tem recuperação mais rápida, bastante indicado para idosos. As chances de recanalização depois são muito baixas", afirma Walter Campos Jr., médico e cirurgião vascular do Instituto H. Ellis, de São Paulo.

Alguns pacientes ainda relutam com o método por ter um custo mais alto que as cirurgias comuns. Porém, devem ser levados em conta dados que não são considerados no Brasil, como a perda de dias de trabalho. "Na radiologia, não há gastos com anestesia e internação. Na ponta do lápis, ela pode sair mais cara, mas como é uma cirurgia menos agressiva e com menor tempo de recuperação, proporciona melhor qualidade de vida", afirma Elkis.

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