Saúde bucal deve ser prioridade para diabéticos

É fundamental prevenir cáries e outras doenças da boca para controlar a glicemia

Saúde bucal deve ser prioridade para diabéticos

Paul Burns/Corbis

Um estudo recente publicado no The Journal of the American Dental Association apontou que um em cada cinco casos de perda de dentes nos Estados Unidos está relacionado a diabéticos com má saúde bucal.

O dado serve de alerta a população mundial, que desconhece essa relação. Para se ter uma ideia da gravidade do problema, o diabetes favorece o desenvolvimento de cáries e doenças periodontais, causados pelo acúmulo de placa bacteriana na superfície dos dentes.

Entre as razões está a falta de uma correta higiene oral, uma vez que como qualquer outra infecção, as doenças periodontais dificultam o controle da glicemia, além de inflamações na cavidade bucal.

Os especialistas acreditam que a avaliação da saúde da boca poderia ser uma maneira de chegar a esse diagnóstico, já que ajudaria a detectar alguns sintomas. Já os diabéticos devem avisar ao dentista sobre a doença e informar-se se o profissional está apto a cuidar dele de forma adequada.

"Além do endocrinologista, o dentista também deve fazer parte do quadro de especialistas que tratam e orientam o portador de diabetes", diz Dr. Alexandre Fraige, doutor em odontologia pela USP e diretor do Departamento de Odontologia da Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD).

As doenças bucais mais comuns nos portadores de diabetes são gengivite, caracterizada por inchaço, vermelhidão e sangramento das gengivas durante a escovação ou o uso do fio dental; periodontite, que é a progressão da gengivite. Com o tempo, essa doença destrói as estruturas que envolvem e sustentam os dentes, atingindo a gengiva e o osso ao redor dos dentes, podendo ainda expor a raiz.

Há ainda a halitose, popularmente conhecida como mau hálito, que pode ser causado por uma higiene inadequada (deficiência nos três passos da higiene bucal: falha na escovação, no uso do fio dental e do enxaguatório bucal), por gengivite, uso de tabaco (por exemplo, cigarro) ou de bebidas alcoólicas. E a xerostomia (secura da boca) causada pela alteração na produção de saliva, geralmente associada ao aumento da ingestão de água e do volume de urina, sintomas que podem estar relacionados à descompensação da glicemia.

A higiene oral adequada começa em casa, com a escolha da melhor escova e por meio dos três passos básicos: escovação, uso do fio dental e do enxaguatório bucal. No caso do diabético, o ideal é que ele opte por escovas de cerdas macias (que não machuquem a gengiva) e com cabo de fácil manuseio. O fio dental também não pode ser esquecido, pois remove os resíduos que ficam entre os dentes, aonde a escova não chega. Já em relação ao enxaguatório, os antissépticos com óleos essenciais em sua composição têm ação contra bactérias localizadas na superfície da língua, nas mucosas bucais e na saliva, e também atuam na prevenção da gengivite e do acúmulo da placa.

Cuidados especiais que os portadores de diabetes devem ter para uma boa saúde bucal:

• Faça uma avaliação com seu dentista a cada seis meses;

• Controle os níveis de glicose no sangue, pois isso ajudará a evitar a doença periodontal;

• Informe ao seu dentista sobre seu diabetes e medicação utilizada, e também comunique ao seu médico sobre os tratamentos dentários, pois qualquer infecção bucal pode alterar seu diabetes;

• Faça o quanto antes procedimentos como limpeza de tártaro ou tratamento de cáries, pois uma boca saudável não prejudica o controle da glicemia;

• Os procedimentos que exigirem cirurgia na gengiva devem ser acompanhados de monitoramento glicêmico e, se possível, devem ser adiados até o bom controle do diabetes.

Natália Farah


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