Ser magro não é ser saudável

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magra e saudável

Como saber se alguém é, realmente, saudável? Será que um exame da aparência pode comprovar alguma coisa? Na verdade, não. Apesar disso, é comum que a maioria das pessoas tenha, mais que um padrão de beleza, um padrão estético que é quase um sinônimo de saúde.

No geral, esse modelo é alguém magro.

O fato de a sociedade desaprovar o sobrepeso virou polêmica recentemente. Declarações de Beth Ditto, vocalista da banda "Gossip", saíram no jornal britânico "The Independent". A cantora - que é gordinha - afirmou que não é porque está acima do considerado peso ideal que ela não tem saúde. "Eu quero dizer para as pessoas: ‘Venham, abram minha geladeira e olhem, depois vamos falar sobre o que você acha que é tão ruim’", falou.

Ditto ainda foi irônica: "Para serem magras e permanecerem magras, algumas pessoas literalmente usam cocaína todo o tempo. Algumas pessoas fumam em vez de comer. Isso é loucura. Mas tudo bem né, desde que você pareça saudável". A vocalista disse que uma das partes mais cansativas de ser gordinha e sentir orgulho de si mesma é ter que provar isso sempre.

A cantora pode ter razão quando questiona a crença de que toda pessoa magra é saudável. Para ser considerada magra e saudável, uma pessoa deve simplesmente ter o Índice de Massa Corpórea - IMC, entre 18,5 e 24,9 Kg/m2, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. "Pessoas muito magras podem evoluir em graus variáveis de desnutrição, o que não é saudável, chegando a ser muito perigoso à saúde", aponta Laura Frontana, endocrinologista do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo.

Estar no peso considerado normal também não significa estar livre de doenças como hipertensão arterial, diabetes ou dislipidemia - apesar de esses males atingirem muito mais indivíduos obesos. Tudo vai depender da história clínica e das características de cada um.

Da mesma forma, estar com sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9 Kg/m2) ou obeso (IMC acima de 30 Kg/m2) também não quer dizer que a pessoa não tem saúde. Vários fatores devem ser observados para se chegar a essa conclusão: grau de obesidade, deposição desta gordura no corpo, tempo de evolução da obesidade, atividade física, dieta e genética do indivíduo.

"Mas, uma vez que ele esteja obeso, já possui uma quantidade de tecido gorduroso capaz de produzir substâncias inflamatórias e hormonais que vão agredindo o organismo, muitas vezes de forma silenciosa", alerta a especialista. "Assim, podemos observar um indivíduo obeso e aparentemente saudável, porém, em algum momento, ele possivelmente poderá apresentar um problema de saúde relacionado à obesidade como dores articulares, oscilações da pressão arterial até doenças crônicas", completa.

A verdade é que existem dois tipos de gordura: as chamadas gorduras viscerais, que ficam depositadas dentro do abdômen, entre as vísceras. Elas são um fator de risco independente para doenças cardiovasculares e doenças crônicas como o diabetes. Há também as gorduras periféricas, que se depositam preferencialmente nos braços, pernas e glúteos, e não têm relação com doenças crônicas.

São as características genéticas que determinam se alguém terá mais gordura visceral ou periférica. "Assim, mesmo que o paciente não tenha grande excesso de peso, mas se possuir um predomínio da gordura abdominal, este deverá emagrecer, pois terá maior risco de desenvolver doenças crônicas", orienta Laura.

Um método indireto para estimar o excesso de gordura no abdômen é medir a circunferência abdominal. O aceitável é até 80 centímetros para as mulheres e até 94 para os homens. Caso as medidas sejam maiores, é bom procurar acompanhamento médico para não sofrer complicações.

Uma coisa é certa: parecer saudável não significa ter mesmo saúde, como ensina a endocrinologista. "É fundamental que as pessoas mantenham, além do peso ideal, uma alimentação balanceada, a prática regular e contínua de atividade física, que respeitem os horários do sono e controlem o estresse."

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