Será que estou doente?

Você é uma pessoa hipocondríaca

Uma simples tosse vira pneumonia. Um batimento mais acelerado do coração é logo encarado como sinal de doença cardíaca. Uma dor de cabeça é olhada como aviso de problemas no cérebro. A resposta para um "tudo bem?" é sempre uma lista de dores e incômodos. Se você conhece alguém assim, saiba que está diante de um autêntico hipocondríaco.

Segundo o psiquiatra e professor da Universidade Federal de São Paulo, Miguel Roberto Jorge, a hipocondria é uma preocupação exagerada com a possibilidade de ter uma ou mais doenças sérias e progressivas, mesmo com a confirmação médica de não haver qualquer enfermidade física. "São comuns queixas de falta de energia, sensação de peso nas pernas e dores mal caracterizadas", diz o médico.

Estima-se que de 10 a 20 por cento da população considerada "normal" possua essas preocupações hipocondríacas em algum momento da sua vida. "Principalmente em ocasiões de maior fragilidade emocional, sem que isso constitua a verdadeira doença hipocondríaca", afirma Jorge

Perfil

O hipocondríaco não é um doente imaginário. "É alguém que apresenta uma verdadeira doença crônica. Uma perturbação perceptiva, cognitiva e psicológica que origina sofrimento real, disfunções psicofisiológicas, deterioração familiar e social, consultas médicas freqüentes e possibilidades de auto-medicação", explica o psiquiatra.

A comerciante Renata de Almeida, 29 anos, é uma dos alvos das amigas. Preocupada com a saúde, ela carrega seus remédios para todos os lugares por onde viaja. "É por precaução", diz ela. "Sou um hipocondríaco saudável, não tenho culpa de realmente sentir dores", completa, bem-humorada.

Mas como saber quem é hipocondríaco? Simples. A pessoa deverá ter tido, durante um período significativo (pelo menos seis meses), preocupações, medos ou crenças de que tem uma doença grave ou sensações mal interpretadas.

"Essa preocupação causa-lhe um sofrimento considerável ou interfere negativamente em áreas importantes da sua vida [como pior desempenho social e profissional]. Principalmente quando a pessoa persiste na idéia, mesmo depois de adequadas avaliações médicas", esclarece Jorge.

A idade de início é muito variável. "Não parece haver nenhuma relação com hereditariedade. Ocorre principalmente entre os 20 e os 30 anos", diz o psiquiatra.Tratamento

O tratamento é difícil, pois o hipocondríaco está convencido de que algo em seu organismo encontra-se gravemente alterado. "A tranqüilidade não reduz essas preocupações. Entretanto, uma relação de confiança com um médico atencioso é benéfica, sobretudo se as visitas regulares ao seu consultório forem acompanhadas por uma atitude tranqüilizadora", afirma Jorge.

De acordo com o psiquiatra, se os sintomas não forem adequadamente aliviados, o paciente pode ser beneficiado pelo encaminhamento a um psiquiatra para uma nova avaliação e tratamento, concomitantemente com o atendimento médico primário.

Comente

Últimas