Transtorno bipolar não é depressão

A doença, embora apresente quadros depressivos, deve ser analisada cuidadosamente

Transtorno bipolar não é depressão

A medicina avançou pouco nos últimos anos em relação ao diagnóstico do transtorno bipolar. No mundo, mais de 2 milhões de pessoas sofrem com o problema, confundido com o quadro de depressão. Como não há testes específicos para identificá-lo, como de sangue, o exame clínico continua sendo a única maneira capaz de comprovar a doença, em que o paciente apresenta fortes variações de euforia e momentos depressivos.

A psiquiatra Mary Phillips, da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e autora de um dos artigos sobre o transtorno bipolar da revista médica britânica, The Lancet, afirma que pessoas com a doença demoram de cinco a dez anos a partir do surgimento dos sintomas para que recebam o diagnóstico correto.

Segundo a especialista, isso é um grande problema, pois os medicamentos para essas duas condições são diferentes, e as drogas usadas para depressão podem até acentuar os sintomas do transtorno bipolar. "Poucos estudos de neuroimagem têm sido feitos em cérebros de pessoas com transtorno bipolar para compará-los com o de pessoas com transtorno depressão. É urgente a necessidade de pesquisas futuras nessa área", escreve no texto.

Diagnóstico errado retarda tratamento

O psiquiatra e presidente do Conselho Científico da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA), Teng Chei Tung, afirma que as consequências do diagnóstico errado e o não tratamento correto são graves.

"O risco de suicídio é 60 vezes maior da população normal, que geralmente está associado à depressão. Além disso, existem as instabilidades da doença, em que você não pode, por exemplo, contar com a pessoa no trabalho. Um dia ela vale por três e no outro ela nem vai", descreve o médico.

Diversas frentes de atuação integram a lista de tratamento do transtorno bipolar. O medicamento, segundo ele, ainda é o mais eficaz, uma vez que se precisa diminuir as crises de euforia e a amplitude da enfermidade.

Outra maneira bastante eficiente consiste no conhecimento da doença, a fim de evitar quadros depressivos, algumas perdas, como de emprego, amigos e família, além de manter uma boa qualidade de vida, não engordar e dormir bem, pois uma noite de sono mal dormida pode ocasionar crises.

Natália Farah


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