Você sabe o que é o lúpus?

Saiba quais os sintomas e o tratamento

Você sabe o que é o lúpus

O lúpus ou mais exatamente lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença pouco conhecida. Em algumas situações, ela acaba ficando em evidência, como quando a apresentadora Astrid Fontenelle divulgou sua luta contra a enfermidade, mas, em geral, ainda é algo distante da maioria dos brasileiros.

De acordo com o Dr. Sergio Bontempi Lanzotti, reumatologista e diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo), o lúpus é uma doença autoimune, o que significa que o sistema imunológico do corpo ataca equivocadamente o tecido saudável. A longo prazo, isso leva à formação de uma inflamação crônica.

"Os sintomas variam de pessoa para pessoa e podem ir e vir. Quase todos com LES apresentam dores nas articulações e inchaço. Alguns desenvolvem artrite. As articulações frequentemente afetadas são as dos dedos, das mãos, dos pulsos e dos joelhos", explica o Dr. Lanzotti, destacando que outros sinais também podem se manifestar.

Dentre eles, é possível citar dor no peito em uma respiração mais profunda; fadiga; febre sem causa aparente; desconforto geral, inquietação ou mal-estar; perda de cabelo; feridas na boca; sensibilidade à luz solar; erupções cutâneas (uma "borboleta" sobre as bochechas e na ponte do nariz, havendo piora na luz solar); e inchaço dos gânglios linfáticos.

Outros sintomas dependem da parte do corpo afetada. Cérebro e sistema nervoso: dores de cabeça, dormência, formigamento, convulsões, problemas de visão e alterações de personalidade. Aparelho digestivo: dor abdominal, náuseas e vômitos. Coração: ritmos cardíacos anormais (arritmias). Pulmões: tosses com sangue e dificuldade para respirar. Pele: irregularidade na cor da pele, com os dedos mudando de tonalidade com o frio (fenômeno de Raynaud).

Segundo o reumatologista e diretor do Iredo, a causa das doenças autoimunes não são totalmente conhecidas. E completa: "O LES, especificamente, é muito mais comum em mulheres do que em homens. Pode ocorrer em qualquer faixa etária, mas aparece com mais frequência em pessoas entre as idades de 10 e 50 anos."

Por ser uma enfermidade autoimune não há contágio e não existe cura. O Dr. Lanzotti diz que o objetivo do tratamento é basicamente controlar os sinais. Em sua forma mais branda, pode ser combatida com anti-inflamatórios não esteróides para tratar a artrite e a pleurisia (inflamação das pleuras pulmonares); cremes de corticosteróides para as erupções cutâneas; hidroxicloroquina (uma droga contra a malária) e baixas doses de corticosteróides para os sintomas de pele e artrite; e uso de óculos escuros e protetor solar quando há exposição ao sol.

"Sintomas potencialmente fatais, tais como anemia hemolítica do coração, envolvimento pulmonar, doença renal ou comprometimento do sistema nervoso central, muitas vezes, necessitam de procedimentos mais agressivos realizados por especialistas. O tratamento para o lúpus em sua forma mais grave pode incluir doses elevadas de corticosteróides ou medicamentos para diminuir a resposta do sistema imunológico; e medicamentos citotóxicos, caso não haja melhora com corticosteróides ou os sintomas piorem quando o paciente para de tomá-los", acrescenta o especialista.

Ainda de acordo ele, para ser diagnosticada com lúpus, a pessoa deve ter entre 4 e 11 sinais típicos da doença. "Um reumatologista irá realizar o exame físico e ouvir o peito do paciente com um estetoscópio. Um som anormal chamado de atrito do coração ou atrito pleural pode ser ouvido. Além disso, um exame do sistema nervoso também será feito. Para diagnosticar o LES, podem incluir testes de anticorpos, abrangendo antinuclear do anticorpo painel (ANA); CBC; radiografia de tórax; biópsia renal; e exame de urina", detalha o médico, dizendo que também é possível ter outros exames com os resultados alterados.

Com o diagnóstico confirmado, além do tratamento e acompanhamento médico constante, é importante acrescentar algumas ações no dia a dia. O Dr. Lanzotti afirma que é fundamental adotar cuidados preventivos em relação à saúde cardíaca; manter a carteira de vacinação em dia; verificar se não tem osteoporose; e fazer terapia ou buscar grupos de apoio para ajudar a aliviar a depressão e as alterações de humor que ocorrem em decorrência da doença. "O paciente que tem lúpus pode ter uma vida normal depois de diagnosticado, desde que o acompanhamento reumatológico e o tratamento sejam seguidos à risca", finaliza o médico.

Por Fernanda Oliveira (MBPress)

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