Zumbido afeta cerca de 28 milhões de brasileiros

Zumbido afeta cerca de 28 milhões de brasileiros

Certo dia você começa a perceber um pequeno chiado ou assobio insistente. Pergunta aos colegas se também se deram conta do barulhinho e acha estranho porque é a única pessoa que está ouvindo o som estranho. Da primeira vez, o incômodo não chega a permanecer muito tempo, mas dias depois, ele insiste a ponto de você ficar irritado e procurar um especialista.

É o que ocorre com cerca de 28 milhões de brasileiros, pessoas que convivem ou já conviveram com algum tipo de zumbido (sons de cigarra, chiado, apito, cachoeira, mosquito, rádio ou sirene), conforme pesquisas da Disciplina de Otorrinolaringologista da Faculdade de Medicina de São Paulo.

Ao contrário do que se imagina, o ruído insistente que muitas vezes atrapalha tarefas simples do cotidiano e chega até causar estresse por conta disso não representa uma doença, mas sim um distúrbio, e tem como principal causa problemas auditivos.

Sua origem também está relacionada a outros fatores, como o abuso do consumo de cafeína e chocolate, problemas odontológicos, na coluna cervical e musculares na cabeça e pescoço.

Um estudo realizado pelo Grupo de Pesquisa em Zumbido da Faculdade de Medicina da USP comprovou que o zumbido pode ser o primeiro sinal de perda auditiva. Cerca de 35% dos pacientes atendidos no grupo tiveram a exposição a ruídos como uma das causas do zumbido. "Quem nunca foi a um local muito barulhento, como um show de rock, e saiu com um zumbido temporário nos ouvidos?", questiona a fonoaudióloga Isabela Gomes.

A fonoaudióloga alerta que, em muitos locais, nos grandes centros urbanos, são verificados ruídos que chegam a alarmantes 90 decibéis. "Nessa intensidade, após quatro horas diárias de exposição, o indivíduo terá sua acuidade auditiva afetada". Segundo as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho, uma pessoa que fica exposta a um ruído de 90 decibéis, por quatro horas no dia, poderá desenvolver uma perda auditiva.

O problema não só está nos barulhos cotidianos, mas também em ouvir o mp3 como alternativa para se livrar da poluição sonora, pois muita gente coloca a música em um volume mais alto do que já está nas ruas.

"O som do motor de um carro ligado é de aproximadamente 85 decibéis, ou seja, para encobrir esse barulho a pessoa iria ouvir a música no mp3, no mínimo, com um som de 90 decibéis, o que já poderia causar danos auditivos, dependendo do tempo de exposição", exemplifica Mariene Terume Umeoka Hidaka, diretora da Faculdade de Fonoaudiologia da PUC-Campinas.

Os fones de ouvido estão entre os mais prejudiciais porque carregam sons de até 120 decibéis diretamente para o tímpano, isso contribui para que o zumbido ocorra antes de provocar alguma perda da audição mais perceptível.

De acordo com a fonoaudióloga Isabela Gomes, exames e testes de audição (audiometria) conduzido por fonoaudiólogos são usados para confirmar o mal. O zumbido é amenizado com a adoção de algumas ações terapêuticas, como a Terapia de Habituação do Zumbido, em que o paciente aprende a não perceber os sons de forma intensa.


A terapia é uma forma de os pacientes não focarem sua atenção ao zumbido. Lembrando que apenas fonoaudiólogos e médicos com formação em TRT estão habilitados para aplicar este tratamento. Conforme o caso também são usado medicamentos e a acupuntura. Alguns pacientes do Ambulatório de Zumbido do Hospital das Clínicas de São Paulo já utilizaram a fisioterapia no tratamento.

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